Stephen Hawking

O físico Stephen Hawking sobe ao palco durante o anúncio da iniciativa Starshot Breakthrough com o investidor Yuri Milner em Nova York, nos EUA. O projeto busca encontrar planetas habitáveis fora do nosso sistema solar

Logo de madrugada quando soube pelo G1 da morte de Stephen Hawking, me deu uma profunda tristeza, mas logo me assaltou uma esperança enorme. Um homem que aos 21 anos teve o terrível diagnóstico de uma doença medonha que aprisiona o corpo, mas deixa a mente lúcida, que tinha tudo para não sobreviver, para “não dar certo”, encantou o mundo com suas descobertas sobre a origem e a estrutura do universo.

Seu trabalho popularizou a física no mundo e sua vida é um exemplo de tenacidade, amor, compaixão e alegria. Com um humor invejável, experimentou, com o seu corpo já em adiantado estado de paralisia, viver alguns minutos em um avião que simulava a gravidade quase zero. Jamais parou de escrever e de pesquisar. Dava conferências usando um programa de computador no qual, com o movimento dos olhos escrevia e a máquina reproduzia suas palavras.

Morreu no dia 14 de março, dia do nascimento de outro gênio da física, Albert Einstein. Divergiu do formulador da teoria da relatividade que revolucionou a física no século XX porque segundo Hawking, Einstein acreditava em uma lógica absoluta do universo na qual não cabia o acaso. Para Stephen Hawking o universo foi feito também de acasos.

Originária de uma família de fundadores da ciência, meu pai Joaquim da Costa Ribeiro participou da geração que criou a física experimental no Brasil e dois irmãos Sergio e Paulo Costa Ribeiro também físicos e pesquisadores de primeira grandeza, conhecia a importância de Hawking para o desenvolvimento da ciência no mundo. Sua vida e sua obra contribuíram para aproximar homens e mulheres comuns do universo científico. A frase que imortalizou vinda de uma voz eletrônica possível graças ao avanço da tecnologia deve nos guiar nesses tempos em que a ciência vem sofrendo com falta de investimentos e a vida tem sido tão dura no nosso país. Ele disse ao completar setenta anos: “Olhe para as estrelas e não para seus pés”.

Lembrei de meu pai que me ensinou a olhar para as estrelas deixando um grande e afetuoso legado, embora tenha partido tão cedo. No gramado de nossa casa em Teresópolis reunia os filhos, no inverno enrolados em cobertores e no verão aproveitando a brisa da noite, e nos ensinava a ver a Via Láctea, o Cruzeiro do Sul e as muitas constelações. Eram noites mágicas em que aprendíamos a nossa pequeníssima proporção diante do universo e a grandeza de poder entendê-lo, o que, segundo o físico Hawking, nos torna muito especiais.

(FOTO: O físico Stephen Hawking sobe ao palco durante o anúncio da iniciativa Starshot Breakthrough com o investidor Yuri Milner em Nova York, nos EUA. O projeto busca encontrar planetas habitáveis fora do nosso sistema solar CRÉDITO: Lucas Jackson/Reuters)

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