Livro e filme registram as aventuras e a tragédia de um economista na África

Gabriel, as montanhas e o mundo“Desde que pisei na África dormi e comi na casa de locais, gastando de 2 a 3 dólares por dia, e distribuí meu orçamento diário entre as pessoas que me hospedaram e alimentaram. Tô muito feliz de estar vivendo grandes aventuras de forma sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres. Aqui, com quase nada você faz a diferença na vida das pessoas.”

O filme brasileiro mais surpreendente de 2017, “Gabriel e a montanha”, de Fellipe Barbosa, também virou livro. “Gabriel, as montanhas e o mundo” (editora Autografia, 260 pgs. R$ 59) reúne textos, anotações e mensagens (trocadas com amigos, parentes e a namorada) do economista Gabriel Buchmann ao longo de suas viagens ao redor do mundo – viagens que terminaram tragicamente na África, em julho de 2009.

(Veja abaixo entrevista dos atores a Pedro Bial)

Gabriel estava nos últimos dias de seu périplo quando foi dado como desaparecido. Seu corpo foi achado duas semanas mais tarde, em uma área isolada na base do Monte Mulanje, no Malawi. Depois de ter subido os 3.000 metros da montanha, o mau tempo fez com que Gabriel se perdesse durante a descida, não resistiu à fadiga e à hipotermia. Seu plano era voltar ao Brasil e em seguida começar um doutorado em políticas públicas na Universidade da Califórnia.

O livro é organizado pela jornalista Alícia Uchôa e por Fátima Chaves de Melo Buchmann, mãe de Gabriel; com mais de 70 fotografias, reúne registros de viagens por 38 países em 353 dias, na Europa, na Ásia e na África.


O protagonista do filme e do livro trocou a perspectiva de uma carreira no mercado financeiro pela liberdade de viajar de mochilão, para conhecer de perto o cotidiano de diferentes povos e entender a relação entre as teorias econômicas e a vida concreta das pessoas.


Entre outras aventuras, Gabriel escalou os pontos mais altos do Nepal, da Tanzânia, do Vietnã e do Brasil; participou de rituais xamânicos na Amazônia; visitou campos de refugiados; tomou sopão com os sem-teto em uma igreja de Londres; regou arrozais com camponeses no Vietnã; e foi condecorado por uma tribo Massai.

A leitura é um complemento ao excelente longa-metragem “Gabriel e a montanha”, que foi premiado no Festival de Cannes deste ano e recebeu críticas altamente elogiosas dos jornais “Le Monde” e “Libération” e da revista “Cahiers du Cinéma”. Participou, também, dos festivais de Jerusalém, Munique, Odessa e Sarajevo e da Mostra de S.Paulo, onde foi considerado o melhor filme brasileiro em exibição.

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