Caetano, Ferrante e Starnone são autores dos livros indicados na semana; G1 comenta em VÍDEO

“Em certa ocasião eu estava para ir embora, era um fim de tarde de um dia muito quente. Ela correu para a porta e a trancou à chave. Chamou Sandro e Anna e disse: papai se sente numa cadeia, então vamos brincar de fazê-lo prisioneiro de verdade. As crianças fingiram se divertir, eu fingi me divertir, ela, não, e dizia em voz baixa: ah, ah, agora não sai mais daqui. Depois atirou em mim o molho de chaves e se trancou no banheiro. Não ousei ir embora, mandei Sandro chamá-la. Reapareceu, disse: só estava brincando. Mas não brincava de modo nenhum. Estava cansada, não dormia mais, tentava achar um meio de me fazer raciocinar. Como não conseguia, ora tentava me comover, ora me irritar, ora me suplicar, ora me assustar. Você não deve me segurar desse jeito, eu lhe dizia. E ela respondia indignada: quem está segurando você? Vá! Mas passados dois minutos murmurava: espere, se sente, sua loucura me deixa louca”.

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