Saída de João Cavalcanti do grupo Casuarina soa natural e até tardia…


Em texto repleto de clichês recorrentes em comunicados sobre saídas de banda, o cantor e compositor carioca João Cavalcanti anunciou que deixa o Casuarina, grupo de samba cuja origem (em 2001) e ascensão estão associadas à revitalização da Lapa – bairro da região central da cidade do Rio de Janeiro (RJ) – como polo musical e celeiro de jovens conjuntos de choro e samba. A notícia da saída de Cavalcanti soa natural e, de certa forma, até tardia. Pelo simples fato de que o vocalista e principal compositor do Casuarina já se tornara maior do que o grupo (algo que acontece neste ano de 2017 com Tim Bernardes em relação ao trio paulistano O Terno…).


Sem deixar de ter o samba como norte, Cavalcanti vem expandindo o universo musical. Tanto que Cavalcanti não sai do Casuarina para iniciar carreira solo porque essa trajetória individual, a rigor, já existe e começou a ser delineada e exposta com mais força há cinco anos, com o lançamento do primeiro álbum solo do artista, Placebo (2012). E, verdade seja dita, nada do que o Casuarina fez desde então, nesses últimos cinco anos, superou o disco e o show solo Placebo.


Mesmo quando ainda estava no Casuarina, Cavalcanti vinha abrindo parcerias com compositores como a carioca Joyce Moreno, o pernambucano Lenine, o uruguaio Jorge Drexler e o capixaba Zé Renato, entre outros nomes situados além do universo do samba da Lapa. Em constante evolução como cantor, Cavalcanti lançará em 2018 o segundo álbum solo, Sangrado, arquitetado desde 2015 com produção de Tó Brandileone. Paralelamente, Cavalcanti já gravou em estúdio o repertório do show Garimpo, feito em dueto com o cantor, compositor, pianista e acordeonista carioca Marcelo Caldi.


Enfim, a sensação já era a de que o Casuarina vinha atrasando o desenvolvimento da obra solo de Cavalcanti, ainda que a trajetória do grupo – que contabiliza cinco álbuns de estúdio, dois registros audiovisuais de shows editados em DVD e cerca de 1000 shows realizados em 20 países, como Cavalcanti inventaria no comunicado em que anuncia a saída do grupo – tenha sido decisiva para o crescimento artístico do cantor e compositor.


“Saio pra manter o brilho nos olhos. Mas saio, acima de qualquer coisa, com a certeza de que tudo valeu a pena, e de que o Casuarina vai seguir e vai ser sempre um pedaço meu – do qual me orgulho e com o qual vou vibrar enquanto estiver por esse mundo”, diz Cavalcanti em trecho do comunicado. Seja como for, cabe reiterar que João Cavalcanti já tinha se tornado maior do que o Casuarina. E não é de agora…


(Crédito da imagem: João Cavalcanti em foto de divulgação de Páprica Estúdio)

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