Disco raro de Beth Carvalho, de 1988, ‘Alma do Brasil’ ganha edição digital


Em 1987, ao lançar disco ao vivo gravado no Montreux Jazz Festival, Beth Carvalho encerrou vitoriosa passagem pela gravadora RCA, na qual ingressara em 1976 e na qual viveu fase de auge comercial e artístico na carreira fonográfica. Já com obra referencial no universo do samba do Rio de Janeiro, a cantora carioca assinou então contrato com a gravadora PolyGram para lançar três álbuns. O primeiro, Alma do Brasil, foi lançado em 1988 – com capa assinada por Elifas Andreato – e manteve o alto padrão artístico da discografia de Beth. Editado em LP e em CD (em pequena tiragem, já que o formato ainda não havia se consolidado no mercado fonográfico da época), o álbum Alma do Brasil já virou raridade, mas acaba de ganhar edição digital pela gravadora Universal Music.


Nas rádios, a música que mais se destacou foi Saigon (Claudio Cartier, Paulo César Feital e Carlão, 1985), lançada em compacto três anos antes na voz de cantor e compositor Claudio Cartier (um dos autores da canção), mas até então desconhecida do público (a música seria amplificada na voz de Emílio Santiago em gravação lançada em 1989). Contudo, Alma do Brasil traz no repertório outras joias do mesmo quilate, prontas para serem tiradas do baú. O samba Rosa vermelha, composto por Sueli Costa com versos de Paulo César Pinheiro, merece ser ouvido com atenção, assim como Meu homem (Carta a Nelson Mandela), uma das músicas mais belas e menos conhecidas do cancioneiro autoral do compositor Martinho da Vila.


Felizmente, o tempo já fez justiça com o lírico samba Além da razão (Sombrinha, Sombra e Luiz Carlos da Vila), que se tornou um clássico com o passar dos anos. A propósito, espera-se que a gravadora Universal Music também faça justiça ao álbum Alma do Brasil e ponha no mercado uma mais do que merecida reedição em CD deste grande disco que marcou a estreia de Beth Carvalho na PolyGram.


(Crédito da imagem: capa do álbum Alma do Brasil, de Beth Carvalho. Arte de Elifas Andreato)

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