Sai em CD álbum d’Os Seis em Ponto, o grupo que reunia Francis e Nelson


“Eis aqui um disquinho feito com amor, simplicidade, pureza. Moços que amam a música e se reuniam para tocar fizeram agora este disco”. Dessa forma, começa o elogioso texto escrito por ninguém menos do Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) para apresentar o primeiro e único álbum do grupo carioca Os Seis em Ponto, lançado em 1964 pela gravadora RGE e ora reeditado – pela primeira vez em CD – pelo selo Discobertas.


Entre os moços do sexteto, havia Francis Hime, jovem compositor, pianista e arranjador carioca de então 25 anos que, embora fosse iniciante na música, já tinha feito parcerias em 1963 com ninguém menos do que Vinicius de Moraes (1913 – 1980), compositor já consagrado na época como um letrista que renovara e modernizara a linguagem poética da música brasileira. Uma dessas parcerias de Hime com Vinicius, Sem mais adeus (1963), figura entre as 12 composições do álbum Os Seis em Ponto, formando um repertório “bem escolhido”, como ressaltou Jobim no texto de apresentação publicado na contracapa do LP e reproduzido no encarte da edição em CD.


Havia também, no sexteto, o paulistano (de alma carioca) Nelson Motta, apresentado na capa do disco como Nelson Motta Filho. Nelson toca violão, instrumento que estudara com Roberto Menescal. Além de ter alcançado posteriormente notoriedade como jornalista, Nelson começaria em 1966 uma vitoriosa carreira de letrista da música brasileira, solidificando parcerias com compositores como Dori Caymmi e Lulu Santos. Já Hime se tornaria um dos maiores compositores e arranjadores do Brasil.


Os outros integrantes d’Os Seis em Ponto – Alberto Hekel Tavares (flauta), Carlos Alberto Cumarão (trombone), Carlos Eduardo Sadock de Sá (baixo) e João Jorge Vargas (bateria) – não chegariam a ficar conhecidos. Contudo, o álbum d’Os Seis em Ponto – lançado em 1964, como informa o site oficial de Francis Hime e como dá para deduzir pelas idades citadas na parte do texto em que Jobim discorre sobre cada um dos seis músicos, e não em 1966, como erroneamente credita a edição em CD produzida pelo pesquisador Marcelo Fróes – foi feito na hora certa, deixando boa amostra da música instrumental produzida na década de 1960 com a influência do jazz. Sobretudo por conta da maestria de Francis Hime.


Como enfatiza Jobim no texto, “os arranjos são variados, com estruturas que fogem do banal”, valorizando repertório que inclui músicas lançadas naquele ano de 1964, casos de Amor a esmo (Francis Hime e João Vitório, 1964), Borandá (Edu Lobo, 1964), Mar azul (Francis Hime e João Vitório, 1964), O menino das laranjas (Theo de Barros, 1964), Samba do carioca (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964) e Se você pensar (Francis Hime e João Vitório, 1964).

Já o design da capa do álbum Os Seis em Ponto, criado por Otaviano Mello com Raul Vogt, era nitidamente inspirado nas artes elegantes criadas por César G. Villela para as capas dos discos da gravadora Elenco.


(Crédito da imagem: capa do álbum Os Seis em Ponto)

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