Em movimento, o Quarteto do Rio festeja o ‘Mr. Bossa Nova’ Menescal


Festejados na última quarta-feira, 25 de outubro de 2017, os 80 anos do compositor e músico carioca Roberto Menescal renderam alguns discos. Inclusive um álbum centrado na parceria de Menescal com o poeta Abel Silva, O encontro inédito. Mr. Bossa Nova (Na Lua / Mins Música) – álbum lançado pelo Quarteto do Rio na semana do 80º aniversário de Menescal – se junta às comemorações fonográficas com o aval e a presença do homenageado. Com a voz e o toque da guitarra elétrica de Menescal, o quarteto regrava no disco onze títulos do cancioneiro do compositor de Rio (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1963), uma das músicas na qual a voz opaca do aniversariante sobressai em Mr. Bossa Nova.


Quarteto do Rio é o grupo carioca formado por três remanescentes das últimas formações do grupo Os Cariocas – Eloi Vicente (voz e violão), Neil Teixeira (baixo e voz) e Fabio Luna (voz e bateria) – e pelo recém-integrado Leandro Freixo (voz e teclados). Por questões extra-musicais, o grupo teve o nome alterado para Quarteto do Rio porque Lúcia Veríssimo, filha de Severino de Araújo Silva Filho (1928 – 2016), entende que, com a morte de Severino Filho há dois anos, desapareceu o d.n.a. vocal d’Os Cariocas, grupo fundado em 1942 por Ismael de Araújo Silva Netto (1925 – 1956).


Nomes à parte, a modernidade dos arranjos vocais de Ismael Netto e Severino é evocada pelo Quarteto do Rio na interpretação a capella de O barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1961), canção acoplada no disco a Você (Roberto Menecal e Ronaldo Bôscoli 1964), outro clássico da Bossa Nova, também cantado a capella pelo quarteto no momento mais belo de Mr. Bossa Nova.


Como as harmonizações vocais d’Os Cariocas se integraram ao universo da Bossa Nova, o tributo do Quarteto do Rio a Menescal consegue reproduzir – em registros como os de Ah, se eu pudesse (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1963) e Nós e o mar (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1962), canção gravada com solo da guitarra de Menescal – o clima desse Rio dourado de sol e sal que gerou a Bossa Nova. Até a propalada influência do jazz soa nítida no toque de A morte de um Deus de sal (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1964).


Centrado na parceria fundamental de Menescal com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994), o repertório do álbum Mr. Bossa Nova avança no tempo ao apresentar parcerias mais recentes de Menescal com o compositor carioca Paulo Sérgio Valle (Ela quer sambar, com arranjo em clima de gafieira) e com a compositora pernambucana Andréa Amorim (Um tiquinho só, com toque de afoxé).


Ela quer sambar e Um tiquinho só formam, com Você me ganhou (outra parceria de Menescal com Paulo Sérgio Valle), o trio de músicas inéditas de Mr. Bossa Nova, disco cuja capa criada por Angela Bressane evoca intencionalmente o antológico design impresso por César G. Villela nas capas dos álbuns da gravadora Elenco. Nenhuma das três músicas inéditas tem cacife para se tornar um clássico do senhor da bossa, mas mostram que, assim como o grupo ora batizado Quarteto do Rio, Roberto Menescal continua em movimento. (Cotação: * * * 1/2)


(Crédito da imagem: capa do álbum Mr. Bossa Nova, de Quarteto do Rio & Roberto Menescal)

Deixe uma resposta