Trio carioca Harmonitango expõe em CD toque erudito da obra de Piazzolla


O primeiro álbum do trio carioca Harmonitango delimita um início e um fim. Ao mesmo tempo em que marca o começo da trajetória fonográfica do trio formado por José Staneck (harmônica), Ricardo Santoro (violoncelo) e Sheila Zagury (piano), o álbum Harmonitango assinala o fim da era das produções fonográficas orquestras pelo compositor carioca Sergio Roberto de Oliveira (1970 – 2017) para o selo A CASA Discos, dedicado à música clássica brasileira contemporânea. O disco foi o último feito para a gravadora por esse produtor fonográfico que saiu de cena em julho, vítima de câncer.


Neste álbum, o trio toca e celebra a música do compositor e bandoneonista argentino Astor Piazzolla (1921 – 1992), músico virtuoso que, do universo erudito, migrou para o tango, gênero do qual se tornou uma das referências máximas justamente por subverter cânones ao tocar e compor tangos com influência do jazz e da música erudita. No disco produzido por Oliveira, o Harmonitango explicita a influência da música clássica na obra de Piazzolla em temas como Fuga y misterio e La muerte del ángel.


Além do maior sucesso do gênio portenho, Adiós, Nonino, o irretocável repertório do álbum Harmonitango inclui Retrato de Milton – tema dedicado ao brasileiro Milton Nascimento, compositor que também estabeleceu novos parâmetros com obra inclassificável – e Deus Xango, música de Summit, disco gravado e lançado na Itália em 1974 que selou a união musical entre Piazzolla e o saxofonista norte-americano de jazz Gerry Mulligan (1927 – 1996). E que ganhou o título de Reunión cumbre ao ser editado na América Latina. Em outras palavras, o recorte da obra de Piazzolla pelo Harmonitango é bem abrangente.


(Crédito da imagem: capa do álbum Harmonitango)

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