Sai de cena Athaulfo Alves Júnior, o cantor dos ‘Meninos da Mangueira’


No título do álbum que lançou em 1969, pela gravadora Polydor, Ataulpho Alves de Souza Júnior (5 de agosto de 1943 – 15 de outubro de 2017) já demarcou território e dinastia. O herdeiro sou eu é o nome do referido disco desse cantor e compositor carioca que saiu de cena na noite de ontem, aos 74 anos, vítima de infarto, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ).


O recado era estrategicamente dado no ano em que o grande compositor mineiro Ataulfo Alves (1909 – 1969) tinha saído de cena. Filho do bamba do samba, Ataulpho Júnior – que por vezes se apresentou artisticamente como Ataulfo, sem o ph no nome – tinha começado a carreira como integrante do grupo Os Herdeiros do Samba, assim batizado pelo pai. Em 1963, a madrinha artística do então iniciante cantor – ninguém menos do que a cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 – 1990) – apresentou Ataulfo Alves Júnior ao público.


Mas a carreira do afilhado decolou somente na década de 1970. Quatro anos após a gravação do samba A Mangueira e você, Conceição, parceria de Ataulfo Júnior com Barbosa Silva lançada em 1972 por Moreira da Silva (1902 – 2000), o filho de Ataulfo deu voz a um outro samba sobre a escola de samba verde-rosa, Os meninos da Mangueira, em gravação lançada em compacto e no LP Athaulfo Alves Júnior (1976). Parceria de Rildo Hora com Sérgio Cabral, o inspirado samba fez grande sucesso e projetou o nome de Ataulfo Júnior em 1976.


No rastro do sucesso, o cantor lançou mais compactos e um novo álbum, Emoções fortes (1979), ainda na década de 1970. Mas o fato é que a carreira de Ataulfo Júnior foi perdendo fôlego, não recuperado nem com a gravação de novas parcerias de Rildo Hora com Sérgio Cabral, caso de A bela da tarde (1980).


A partir dos anos 1980, o artista foi sobrevivendo cada vez mais do legado do pai em discos e tributos saudosistas. A rica herança musical do pai acabou impedindo que Athaulfo Alves Júnior construísse o próprio patrimônio artístico. A ponto de ele ter saído de cena com a sensação de que tinha sido esquecido, o que era de fato uma triste realidade.


(Crédito da imagem: Athaulfo Alves Júnior em foto da capa do LP Emoções fortes, de 1979)

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