Paulo Malaguti investe na ‘hard’ MPB no álbum solo ‘Segundo Pauleira’


Segundo Pauleira é hard MPB”, conceitua o cantor, compositor, músico e arranjador carioca Paulo Malaguti Pauleira a respeito do álbum solo – o segundo da discografia individual – que ora lança através da Mills Records. De fato, são os toques das guitarras de Paulo Muylaert e Paulo Brandão que sobressaem de cara em Gostaria te encontrar (Paulo Malaguti Pauleira), balada originária de afoxé que abre Segundo Pauleira, disco produzido por Brandão.


E por falar em afoxé, Cordão de prata tem levada baiana e poema da escritora Helena Jobim (1931 – 2015) musicado por Malaguti e gravado com os vocais femininos do grupo Arranco de Varsóvia e dos corais BomTempo e Cant’duRio, em timbragem que remete aos vocais da Banda Nova, de um certo Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994). Solista de voz opaca, Malaguti convoca Lenine e o MPB4 – grupo do qual faz parte desde 2012 – para encorpar o canto do maracatu jazzístico Lá vem de novo (Paulo Malaguti Pauleira), composição que, assim como o também jazzístico baião Vamo pro Bunda (Paulo Malaguti Pauleira), justifica o conceito de hard MPB adotado por Malaguti para caracterizar o álbum Segundo Pauleira e desvirtuado na balada Dom de acreditar (Paulo Malaguti Pauleira), cujo vocal de Elizah Rodrigues remete mais à leveza da bossa.


Já o tema instrumental Nem choro nem vela (Paulo Malaguti Pauleira) prescinde das vozes para se ambientar em clima de gafieira com os sopros da Orquestra Criola orquestrados pelo arranjador Humberto Araújo. O cardápio inclui também o samba A me afligir (Paulo Malaguti), Fuga das ilhas Sunda (Não olhe assim) – tema originalmente instrumental composto por Malaguti para o grupo Impávido Colosso e gravado em Segundo Pauleira com a letra de Fábio Girão – e Um presente e o futuro, canção que traz a voz e o violão de Guinga.


Fundador do grupo Céu da Boca, Malaguti nem sempre soa hard no álbum Segundo Pauleira, de repertório autoral situado ritmicamente entre o Rio de Janeiro (RJ) e o Nordeste, mas a harmonia é dura na queda.


(Crédito da imagem: Paulo Malaguti Pauleira em foto de Rogério Von Krüger)

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