Capa em grafite é o maior acerto de genérico CD pagodeiro de Thiaguinho


Sétimo disco da carreira solo de Thiaguinho, Só vem! Ao vivo apresenta coleção de erros. O maior acerto é a capa que expõe ilustração em grafite na qual o cantor e compositor paulista é visto com cinco anos de idade no traço do artista carioca Marcelo Ment. O pior erro é o tom de pagode genérico dado ao repertório inédito que, em vez de ser registrado em estúdio, foi captado ao vivo em 14 de junho deste ano de 2017 na Fundição Progresso, casa de shows da cidade do Rio de Janeiro (RJ).


A produção musical orquestrada por Thiaguinho com Prateado e Rodriguinho consegue padronizar as 14 músicas da edição em CD do álbum (a edição em digital alinha 23 músicas em 21 faixas). Nem a participação da funkeira pop Ludmilla na música-título Só vem! (Thiaguinho e Gabriel Rodriga) tira o disco da roda de samba trivial na qual Thiaguinho gravita.


A temática e as levadas soam redundantes, como mostra a audição seguida de pagodes como 100% dela (Samuel Deolli, Lucas Santos e Rafael Torres) e Energia surreal (Lucas Santos, Ivo Mozart e Samuel Deolli) – música que virou o hit viral do disco pela melodia que sobressai em safra ruim. Thiaguinho, caracterizado como o Pretinho em versos de Eu vou (Rafinha RSQ, Rodriguinho e Leiz), encarna o amante voluptuoso na maioria das letras do disco.


Só vem! Ao vivo é apresentado pela gravadora Som Livre como álbum em que Thiaguinho faz a fusão de samba com ritmos como rap. De fato, há toque de rap em Sem vergonha (Rodriguinho e Thiaguinho), mas a mistura, quando acontece (o que é raro), é bem rala. Justiça seja feita: em discos anteriores, Thiaguinho bem que tentou algumas ousadias estilísticas dentro do universo do pagode genérico, misturando samba com ritmos norte-americanos como R&B e soul. Mas as regras de um mercadão pop refratário a qualquer ousadia fez com que o artista voltasse para a roda do pagode banal.


Para quem gosta deste tipo de samba, o refrão de Sacode (Thiago Silva e Thiaguinho) tem certo poder de sedução. Da mesma forma que a cadência de algumas passagens do pagode Na boca do povo (Thiaguinho e Prateado). Mas é bem pouco para disco de músicas inéditas que sinaliza o conformismo do artista. O coro popular até potencializa a animação produzida para a gravação ao vivo. Só que tudo soa plastificado, quase artificial, neste álbum cuja edição em CD ainda comete o erro de vir sem a reprodução das letras no magro encarte. Não, não venha para a roda de Thiaguinho. (Cotação: * 1/2)


(Crédito da imagem: capa do álbum Só vem! Ao vivo. Thiaguinho em grafite de Marcelo Ment)

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