Com fé em Alceu, Theone faz ressoar os ‘tambores do mundo’ em CD solo


Nos títulos dos dois primeiros álbuns da carreira solo, Tambor do mundo (2006) e New Orlinda (2008), Charles Theone já sinalizou a intenção de revolver raízes do estado natal de Pernambuco com as antenas ligadas no universo pop. No terceiro álbum solo, Charles Theone (Edição independente, 2016), este cantor, compositor e músico nascido em Inajá (PE) – cidade do sertão pernambucano – leva adiante a proposta musical como espécie de discípulo do conterrâneo Alceu Valença. Theone faz hoje o show de lançamento do disco na cidade do Rio de Janeiro (RJ), no qual está radicado.


Guitarrista que toca com Alceu desde os anos 1970, Paulo Rafael produz o álbum batizado com o novo nome artístico de Theone, antes conhecido como Charles Teony. A mudança do nome tem origem em crenças espiritualistas. Musicalmente, contudo, Charles Theone continua pondo fé na mistura pop de ritmos pernambucanos feita por Alceu desde a década de 1970.


“Maracatu no terreiro é samba”, decreta o artista em verso de Pai do samba (Charles Theone), uma das dez músicas autorais do disco. Na composição que abre o álbum, Noite negra (Charles Theone e Julia Ventura), Theone já dá voz a tema que mixa a pisada do maracatu com a batida do samba. Na sequência, o samba ganha toque de bossa em Doce (Charles Theone e Dado Amaral).


Egresso dos grupos Maracatu Nação Pernambuco e Balé Popular do Recife, Theone aparece emergido do barro na foto de Daryan Dornelles exposta na capa do CD. É nesse clima que Theone entra em arrasta-pé forrozeiro em Cuidado com Mané (Charles Theone), faz ressoar o baticum negro em Como quem não quer nada – parceria do compositor com Jam da Silva gravada com a participação da cantora Daúde – e entra na cadência do xote em Maça dourada (Charles Theone e Julio Moura).


Mesmo que o canto do artista não reverbere a eletricidade da obra de Alceu, o disco expõe raízes folclóricas de Pernambuco em Olinda cidade mulher (Charles Theone e Chico Esperança) entre conexões com os beats eletrônicos, evidenciados na levemente psicodélica Estrela da paz (Charles Theone e Wendell Bará).


Embora já esteja radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Charles Theone parece falar de Pernambuco para o mundo neste terceiro álbum solo.


(Crédito da imagem: capa do álbum Charles Theone. Foto de Daryan Dornelles)

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