Álbum de Chocolate da Bahia sai em CD 40 anos após lançamento em 1977


“A Bethânia vendo a cobra /

Disse ao Mano Caetano /

Toda cobra que te morde /

Sempre entra pelo cano


A Gal Costa curiosa /

Virou a cobra com fé /

Só pra ver se a cobra é homem /

Ou se a cobra era mulher /

(…)

Quem duvida dessa história /

Pergunte a Gilberto Gil /

Foi quem mais transou com a cobra /

Foi quem mais a cobra viu…”


Os hilários e maliciosos versos acima são da letra de A cobra mordeu Caetano, um dos sambas mais sedutores de autoria de Chocolate da Bahia. O samba integrou o primeiro álbum autoral deste artista baiano, Barraca do Chocolate, disco de 1977, produzido por Guto Graça Mello e ora editado pela primeira vez no formato de CD pelo Selo Discobertas.


“Olha, o meu nome é Chocolate da Bahia / Sou do Mercado Modelo, da cachaça e poesia / Eu mando um gole para todos os beberrão / Que não gostam de conselho, vão cantar o meu refrão”. Assim o cantor, compositor, músico e bebedor convicto Raimundo Nonato da Cruz – conhecido na cidade natal de Salvador (BA) pelo nome artístico de Chocolate da Bahia – se apresentou em versos de Não deixo, não (Chocolate da Bahia e Djalma Correa, 1977), samba que abre o disco lançado originalmente há 40 anos pela gravadora Som Livre.


Com textos avalizadores do escritor Jorge Amado (1912 – 2001) e do compositor Dorival Caymmi (1914 – 2008) publicados na contracapa do LP original e reproduzidos no encarte da edição em CD, o álbum Barraca do Chocolate expõe os quitutes rítmicos deste artista que fez nome nas rodas de samba e ijexá armadas no Mercado Modelo, ponto turístico e musical de Salvador (BA).


Com canto rústico, Chocolate da Bahia dá voz no disco a sambas como São Jorge Guerreiro (Homenagem a Camafeu de Oxossi) (Chocolate da Bahia e Paulo Afonso Alves Sette, 1977) e Me dá birinaite (Chocalate da Bahia, Paulinho de Camafeu e Russo do Pandeiro, 1977).


(Crédito da imagem: capa do álbum Barraca do Chocolate, de Chocolate da Bahia)

Deixe uma resposta