Voz enérgica de ‘Maga’ potencializa a percussão eletrizante do Quabales


ROCK IN RIO 2017 – Nem a presença destoante e surpreendente do cantor sul mato-grossense Di Ferrero, vocalista da banda paulistana NX Zero, diluiu a potência do baticum do Quabales no show que marcou o encontro do grupo baiano de percussão com a cantora conterrânea, ambos oriundos da cidade de Salvador (BA).


O show que abriu a programação do Palco Sunset na tarde de 23 de setembro – penúltimo dia da sétima edição carioca do festival Rock in Rio – evidenciou a vibração do som do Quabales, grupo cuja percussão soa como mix de batidas do bloco baiano Olodum com o grupo inglês Stomp. Não por acaso, já que Mariovaldo dos Santos – integrante do Stomp desde 1996 – é o mentor do Quabales, grupo criado na comunidade soteropolitana Nordeste de Amaralina.


Como o repertório autoral do Quabales soa menos sedutor do que a percussão criada os toques de tambores e latões, o show do grupo teve o ápice com a primeira entrada em cena de Margareth Menezes. Até porque a cantora tem a voz mais potente dentre todas as intérpretes associadas ao gênero rotulado como axé music. Daí que a junção dessa voz eletrizante com a percussão inebriante do Quabales deu liga.

Maga cantou o samba Andar com fé (Gilberto Gil) ao entrar em cena e, na sequência, elevou a temperatura (já alta na tarde de ontem) ao reavivar dois explosivos sambas-reggae, Faraó (Divindade do Egito) (Luciano Gomes, 1987) e Uma história de Ifá (Elegibô) (Ythamar Tropicália e Rey Zulu, 1987), ambos lançados há 30 anos e perpetuados pela voz poderosa dessa cantora baiana.


A empolgação continuou quando Maga encarou os versos trava-língua do Coco do M (Zé do Brejo e Jacinto Silva, 1965), sucesso do cantor alagoano Jacinto Silva (1933 – 2001). Após a primeira participação de Margareth no show, a voltagem rítmica da apresentação baixou com a saudação ao percussionista pernambucano Naná Vasconcelos (1944 – 2016), feita com a canção Mar de palavras.


Sozinho em cena, o Quabales alcançou momentos mais luminosos com o número em que demarcou território com o entrelaçamento do samba Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) com Massa concentrada, rap que enfatiza o fato de o Quabales ser uma voz dos guetos de Salvador (BA).


Na volta de Margareth ao Palco Sunset, o show teve outro pico de energia com as lembranças do reggae Não chore mais (No woman no cry) (Vincent Ford, 1974, em versão em português de Gilberto Gil, 1979) e do samba-reggae A luz de Tieta (Caetano Veloso, 1996). Até que a inusitada aparição de Di Ferrero, quando Maga deu voz ao hit tribalista Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002), surpreendeu o público que não esperava ver e ouvir o cantor ajustar dois sucessos da banda NX Zero, Cedo ou tarde (Di Ferrero e Gee Rocha, 2006) e Só rezo (Di Ferrero e Gee Rocha, 2010), aos tons afro-brasileiros da percussão do Quabales. Mas – cabe repetir – nem a presença injustificável de Ferrero empanou o brilho da potente apresentação do Quabales no Rock in Rio.


(Créditos das imagens: Quabales e Margareth Menezes no Rock in Rio 2017 em fotos de Marcos Serra Lima / G1)

Deixe uma resposta