Quem é quem entre aperitivos e o prato morno

Ainda tem hoje, e quem aguentar de pé até o início da madrugada certamente vai se divertir com Red Hot Chili Peppers. Mas, para muita gente o RiR 2017 acabou ontem, com o Who em sua primeira turnê pela América do Sul e um roteiro provando porque é uma lenda vida do rock. Aula de vigor e invenção que deve ter conquistado também parcela dos muitos fãs de Guns N’Roses, que marcaram presença desde cedo e ocuparam os espaços em frente ao Palco Mundo.

Apesar da disputa por um lugar decente, dos aperitivos insossos que foram Titãs e Incubus no Mundo, o Who mostrou a que veio. A química de Pete Townshend, guitarrista e compositor que fez escola, com o cantor Roger Daltrey continua e é reforçada por músicos de apoio afiados, garantindo a veracidade de um repertório criado principalmente na primeira década de atividade da banda. Sucessos iniciais, quando eles ainda procuravam um sotaque próprio, incluindo “I can’t explain”, “The kids are alright” (esta, ingênua, remetendo aos Beatles iniciais), “Substitute” e, claro, o grito de independência de “My generation”, estavam misturados aos carro-chefe obrigatórios tirados dos álbuns “Tommy” e “Who’s next”, como “Pinball Wizard”, “See me, feel me”, “Baba O’Riley”, “Behind blue eyes”, “Bargain” (“É a minha favorita em ‘Who’s next’”, anunciou antes o guitarrista, para depois comentar que tinha tocado a canção num tom errado) e “Won’t get fooled again”. Duas horas de epifania, comandada por Townshend, solista fora de série, explorando timbres que não estão nos manuais.

Quanto à banda de Axl Rose… Foram três horas e meia de um cantor sem voz, abusando dos falsetes, mas o Guns se garante graças à volta de Slash, este um guitarrista ainda acima da média. Muitos covers também reforçam o roteiro de um show longo demais, de “Wichita Lineman” (Jimmy Webb) ao tema de “O poderoso chefão” (Nino Rota), passando por Knockin’ on heavens door” (Bob Dylan), “Live and let it die” (Paul McCartney), “The seeker” (Who), “Whola loota Rosie” (AC/DC) e “Black hole sun” (Soundgarden, em homenagem a Chris Cornell). Bom para os fãs, arrastado demais para quem não é.

Ah, como sempre, o sábado também teve dezenas de outros artistas em palcos que quase ninguém assiste. E, fechando o Sunset, mais um bailão, com CeeLo Green e seus convidados, a cantora carioca com vozeirão soul Iza e, no fim, os percussionistas baianos do Quabales, que tinham aberto a programação com Margareth Menezes. “Crazy” é um hit certeiro e CeeLo e a banda quase toda feminina recorrem a muitos sucessos do soul e do funk, incluindo “September”, do Earth, Wind & Fire. Divertiu, deu para sacolejar um pouco, fazendo hora para o Who mostrar quem é quem.

Crédito imagens: ACM

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