Maria Rita prova (mais uma vez) que é bamba ao encarar repertório de Ella


ROCK IN RIO 2017 – Maria Rita caiu bem no samba há dez anos. Contudo, os apelos por “Mais um! Mais um!” – ouvidos ontem, 17 de setembro, no Palco Sunset ao fim da apresentação em que a cantora paulistana encarou bem o repertório de Ella Fitzgerald (1917 – 1996), uma das maiores vozes norte-americanas do jazz – indicam que o público (também) quer ver e ouvir Maria Rita fora do terreirão do samba.


E com razão. Afinal, tem que ser muito bamba para seduzir plateia de festival de rock com repertório calcado nos standards da canção norte-americana e no cancioneiro soberano do compositor e maestro carioca Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994). A filha de Elis Regina (1945 – 1982) provou mais uma vez que é bamba e que teve a quem puxar – o que não é surpresa para quem já ouviu o primeiro álbum da cantora, Maria Rita (2003), lançado há 14 anos.


Destaque da excelente programação da terceira noite do Rock in Rio, o show de Maria Rita teve como convidada a cantora norte-americana de jazz Melody Gardot, com quem a intérprete brasileira dividiu classudas interpretações de músicas de Tom Jobim como Corcovado (1960), Inútil paisagem (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1963) e Águas de março (1972), esta em dueto que fechou com classe a apresentação, evocando a antológica gravação do samba que juntou Elis & Tom em 1974.


Sozinha, Maria Rita cantou músicas como Let’s do it, let’s fall in love (Cole Porter, 1928), I’ve got you under my skin (Cole Porter, 1936) e The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) com interpretações refinadas que reiteraram a técnica da cantora. Alberto Continentino (baixo), Rannieri Oliveira (piano), Paulo Braga (bateria), Fernando Caneca (guitarra) e Diogo Gomes (trompete) criaram a adequada ambiência sonora para que Maria Rita estivesse à vontade na interpretação dessas músicas já imortalizadas.


Nascida há 100 anos, Ella Fitzgerald foi uma das maiores cantoras do jazz pelo total domínio na arte do improviso, do scat singing. Maria Rita foi sábia ao dar voz a essas canções sem tentar imitar o estilo de Ella e ao selecionar um repertório que estabelecesse imediata empatia com o público. A lembrança da balada Over the rainbow (Harold Arlen e Edgar Yipsel, 1939) exemplificou bem o acerto da artista na montagem do roteiro. Dentro ou fora do terreirão do samba, Maria Rita é bamba!


(Crédito da imagem: Maria Rita no Rock in Rio 2017 em foto de Alexandre Durão / G1)

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