Laudir de Oliveira, percussionista que exportou o baticum afro-brasileiro


Os músicos estrangeiros sempre tentaram em vão cair no suingue da música brasileira. Só que tocar bem o baticum nativo herdado da mãe África é privilégio de grandes instrumentistas brasileiros como o carioca Laudir de Oliveira (6 de janeiro de 1940 – 17 de setembro de 2017), exímio percussionista que saiu ontem de cena, no palco, vítima de ataque cardíaco durante show em tributo ao saxofonista Paulo Moura (1932 – 2010).


Laudir foi um dos grandes percussionistas do Brasil e soube exportar o suingue do país para o mundo. Embora tenha saído de cena na cidade onde nasceu há 77 anos, o Rio de Janeiro (RJ) das batucadas ouvidas nos morros e no asfalto, Laudir passou boa parte da vida nos Estados Unidos, onde se radicou de 1970 a 1984.


Laudir foi para os EUA pela primeira vez ainda nos anos 1960, década em que iniciou a trajetória profissional de músico. Lá, se integrou à banda de Sergio Mendes, pianista fluminense que fez fama e fortuna ao traduzir o suingue da música brasileira para o idioma compreendido pelos ouvidos gringos.


O percussionisra ainda voltou ao Brasil e, em 1970, foi um dos fundadores do Som Imaginário, grupo que incluiu o baterista Robertinho Silva e que tocou com Milton Nascimento. Contudo, Laudir imaginou futuro melhor ao fazer som para os americanos. De volta aos Estados Unidos, passou a tocar com Sergio Mendes e foi integrante da banda norte-americana Chicago de 1974 a 1981.


Laudir tirava sons afro-brasileiros da percussão com extraordinária habilidade que lhe rendeu convites para tocar com os maiores nomes da música do Brasil e dos Estados Unidos. Contudo, o toque da percussão de Laudir de Oliveira extrapolou fronteiras, tendo sido propagado e ouvido em todo o mundo.


(Crédito da imagem: Laudir de Oliveira em foto extraída do Facebook do artista)

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