Cantora de vida punk, Elza Soares reina na tardia estreia no Rock in Rio


ROCK IN RIO 2017 – Ontem, 16 de setembro, foi dia de festa para Elza Soares. Aos 87 anos, essa cantora carioca de vida punk estreou – enfim! – no festival Rock in Rio. Poderia ter sido no Palco Mundo com um show da própria Elza. Mas foi no Palco Sunset como convidada do show feito pelo rapper paulistano Rael no início da noite. Não importou.


Em qualquer tempo ou lugar, Elza Soares rouba a cena e atrai os holofotes para si. Foi assim quando, sentada no que simbolicamente pode ser entendido como o trono de uma rainha, Elza entrou em cena para lembrar que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, versos da letra de A carne (Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti, 1998), música do repertório do efêmero grupo Farofa Carioca que Elza tomou para si desde que a gravou em álbum renovador, Do cóccix até o pescoço (2002), lançado há 15 anos.


Vivendo mais um momento áureo na carreira desde que reapareceu há dois anos com outro álbum revigorante, A mulher do fim do mundo (2015), Elza foi merecidamente consagrada ao pisar no palco do Rock in Rio 2017. O festival ainda está no começo, mas poucos momentos serão tão marcantes quanto o instante em que a voz rouca de Elza reverberou pela Cidade do Rock, clamando “Me deixem cantar até o fim”, verso da estrofe final da letra do samba em esquema noiseA mulher do fim do mundo (Rômulo Fróes e Alice Coutinho, 2015). Antes, ela já arrepiara ao pedir que o público repetisse sozinho o verso “Você vai se arrepender de levantar a mão para mim”, do valente samba Maria da Vila Matilde (Douglas Germano, 2015).


Voz que sempre se levantou contra a opressão da mulher, do negro e do gay, Elza Soares é cantora com grande atitude roqueira. Veio do morro, do samba, mas soube se conectar com o universo pop para quebrar barreiras rítmicas e sociais. Elza Soares é a rainha da pele preta que mereceu o coroamento feito na tardia estreia no Rock in Rio, em dia de festa.


(Crédito da imagem: Elza Soares no Rock in Rio 2017 em foto de Fábio Tito / G1)

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