Luiz Gabriel Lopes irmana influências na ‘eletricidade mágica’ do CD ‘Mana’


É possível detectar ecos do cancioneiro tropicalista de Caetano Veloso em Apologia, segunda das dez músicas que compõem o repertório majoritariamente inédito e autoral de Mana, terceiro álbum solo de Luiz Gabriel Lopes. Cantor, compositor e agitador cultural mineiro conhecido pela contribuição na banda Graveola, Lopes assume a boa influência de Caetano na arquitetura sonora do disco produzido pelo artista como Lenis Rino.


“Este disco é mais um fruto da minha caminhada de investigação nas artes da emanação cantada. Mana é a eletricidade mágica que irradia dos gestos e das coisas”, conceitua Lopes em texto reproduzido numa das contracapas internas da edição em CD do álbum.


Apologia é uma das duas músicas de Mana assinadas somente por Lopes. A outra é 1986, canção que ecoa a ideologia latino-americana da obra de Antonio Carlos Belchior (1946 – 2017) e que foi previamente apresentada como single editado em julho. Aliás, Música da vila (Luiz Gabriel Lopes e Téo Nicácio) é reggae bilíngue que assume a irmandade latino-americana ao embutir versos em espanhol e que sobressai em repertório que inclui o tema instrumental O cangaço lírico, assinado por Lopes com o trio que arma com o artista a cama sonora do disco.


Também denominado O Cangaço Lírico, a banda – ou bando, como Lopes prefere chamar o trio – aglutina Téo Nicácio (baixo e voz), Mateus Bahiense (bateria e percussão) e Daniel Pantoja (flautas) na formação. Nicácio, a propósito, canta 381 blues com Lopes. A música é parceria dos dois.


Já a cantora Ceumar é a convidada de Quiléia (Luiz Gabriel Lopes e Paulo César Anjinho). O cantor também se exercita como intérprete, regravando Matança (Augusto Jatobá, 1982) – música ruralista que sai em defesa do meio ambiente e que não poderia soar mais atual nesse momento em que a Amazônia está na mira governamental – e Caboclin (Gustavito e Thiago Braz).


Com capa que expõe arte de Priscila Amoni, o álbum Mana irmana influências sem diluir a identidade autoral de Luiz Gabriel Lopes.


(Crédito da imagem: capa do álbum Mana, de Luiz Gabriel Lopes)

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