Filme conta como o maestro João não deixou o talento escapar das mãos


Repleta de reviravoltas emocionantes, a vida do pianista e maestro paulistano João Carlos Martins daria um filme. A frase é clichê, mas esse clichê se torna inevitável quando se vê o sensível filme roteirizado e dirigido pelo cineasta Mauro Lima com base nos fatos reais encarados com bravura por Martins ao longo de 77 anos de vida marcada por superações. Em cartaz nos cinemas do Brasil desde o dia 17 deste mês de agosto de 2017, o longa-metragem João, o maestro reconta a vida de Martins da infância à consagração como pianista e, posteriormente, regente de orquestras sinfônicas.


A habilidade para a regência nasceu da impossibilidade de tocar piano após série de problemas de saúde que afetaram as mãos do pianista (primeiramente a mão direita e, anos depois, a esquerda, com a qual o músico até então se apresentava em concertos cujos programas eram formados por temas compostos para pianistas canhotos).


De todo modo, a palavra impossibilidade parece inexistir no dicionário de Martins, interpretado por quatro atores ao longo desse filme que conta a história do maestro em ordem cronológica, com o recurso de eventuais flashbacks que ajudam a iluminar pontos da trajetória do pianista. Em cena, João Carlos Martins tem oito mãos e quatro rostos. Davi Campolongo vive João na infância. Na adolescência, entra em cena João Pedro Germano. Já Rodrigo Pandolfo é João na fase da juventude, dos 18 aos 35 anos, enquanto Alexandre Nero interpreta João na fase da maturidade em que o pianista cede à cena para o maestro.


Filmado com o aval e a consultoria do próprio João Carlos Martins, o longa-metragem tem trilha sonora pautada sobretudo por temas do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685 –1750), cuja obra encontrou em Martins um dos mais capacitados e dedicados intérpretes. Um deleite para espectadores admiradores da música clássica!


Mesmo sem ser um musical, João, o maestro conta história de amor pela música. Amor por vezes obsessivo que fez com que Martins superasse os muitos desafios que a vida lhe impôs. Regendo a própria vida com obstinação, João Carlos Martins jamais deixou que as tramas do destino lhe deixassem escapar das mãos o talento raro que fez com que fosse saudado e aplaudido, em todo o universo da música clássica, como o gênio que efetivamente é e sempre foi.


(Crédito da imagem: poster do filme João, o maestro)

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