Mais algumas considerações sobre ‘Caravanas’, o disco de Chico Buarque


Assunto musical da semana, o 23º álbum solo gravado em estúdio por Chico Buarque, Caravanas, chega ao mercado fonográfico na próxima sexta-feira, 25 de agosto de 2017, simultaneamente em edição digital e em edição em CD, com distribuição da gravadora Biscoito Fino, companhia fonográfica carioca pela qual os discos do artista tem sido editados desde 2006. Já alvo de resenha do colunista e crítico musical do G1, Caravanas é disco que ainda renderá assunto na mídia pelos próximos dias. Eis mais algumas considerações sobre o álbum de Chico Buarque:

* Na medida dos limites vocais, Chico Buarque está cantando bem em Caravanas. A voz foi bem colocada em estúdio. O que leva a crer que a interpretação claudicante da canção As vitrines (Chico Buarque, 1981) na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira foi mero acidente de percurso. Momento infeliz da história do artista.


* A tiragem inicial da edição em CD de Caravanas é de 20 mil cópias. Número respeitável que mostra que, para artistas associados à MPB, o formato físico ainda tem certo peso no mercado fonográfico.


* As sete composições inéditas foram sendo compostas aos poucos, desde 2015, e foram sendo gravadas na medida em que eram finalizadas pelo artista. De toda maneira, Caravanas é álbum com baixo teor de novidade, se levado em consideração que Chico não lançava disco de músicas inéditas desde 2011, há seis anos.


* A opção por incluir A moça do sonho (Edu Lobo e Chico Buarque, 2001) no repertório é justificável. Afinal, não havia até então registro dessa inspirada canção da trilha sonora do musical de teatro Cambaio (2011) somente na voz do compositor. Já a opção por regravar Dueto é questionável. Chico já gravara duas vezes a apaixonante canção de amor em dueto com as cantoras Nara Leão (1942 – 1989) e Zizi Possi. Sem falar que já havia registrado a música em dueto com a neta Clara Buarque para o documentário Chico – Artista brasileiro, de 2015. Se era para o disco ter somente nove músicas, é pena que Chico tenha se esquecido de registrar Fora de hora, parceria com Dori Caymmi composta para a trilha sonora do filme Lara (2002) e ainda inédita na voz do cantor.


* A letra mais forte dentre as sete músicas inéditas é a da música-título As caravanas, sobre a repulsa da classe média carioca aos jovens negros da periferia que frequentam nos feriados e fins de semana as praias da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Mas a música que deverá se tornar um clássico com o passar dos anos, contabilizando regravações, é Blues pra Bia.


* A melodia da valsa Massarandupió atesta que o neto de Chico Buarque, Francisco Buarque de Freitas, tem talento. Aos 21 anos, Chico Brown é filho de Carlinhos Brown e de Helena Buarque, uma das três filhas de Buarque. Se falarem mal, é por puro preconceito.


* Embora tenha sido revestido com o verniz da modernidade, por conta de alguns temas e sons atuais, Caravanas é disco conservador na essência. Diferentemente de Caetano Veloso, compositor do qual é contemporâneo, Chico Buarque caminha desde a década de 1960 dentro de zonas de conforto artístico, se movimentando dentro das tradições, sem rupturas ou grandes ousadias estilísticas.

(Crédito da imagem: Chico Buarque em foto de divulgação de Leo Aversa)

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