2º ‘Prêmio Caymmi de Música’ laureia a diversa cena alternativa da Bahia


SALVADOR (BA) – Luedji Gomes Santa Rita é cantora e compositora nascida há 30 anos em Salvador (BA), capital da Bahia. Mas Luedji Luna (foto acima), como é conhecida artisticamente na cena alternativa da cidade, não canta a música rotulada como axé music. Até por isso, Luna foi eleita a artista revelação na Categoria Show na segunda edição do Prêmio Caymmi de Música, cuja cerimônia de entrega aconteceu na noite de ontem, 18 de agosto de 2017, no Teatro Castro Alves.


A entrega dos troféus aos 22 vencedores das três grandes categorias (Música, Show e Videoclipe) foi alternada com números do show feito em homenagem aos 50 anos da Tropicália por uma big-band intitulada Bandão Caymmi – com direito a intervenções vocais de Alice Caymmi e Saulo Fernandes. Produzido pela Via Press Comunicação e Eventos, o prêmio é um desdobramento do Troféu Caymmi, criado em 1985 com o aval e o nome do cantor, compositor e músico baiano Dorival Caymmi (1914 – 2008), mas desativado nos últimos anos e ressurgidou há dois anos já sob nova direção e com outro nome.


Tal como na primeira edição, realizada em 2015 no mesmo Teatro Castro Alves, a segunda edição do Prêmio Caymmi de Música pulverizou a entrega dos troféus nas categorias Música, Show e Videoclipe, sem eleger um grande artista ou grupo como o grande vencedor da noite. A intenção parece ter sido dar a vitória a uma cena que luta para ganhar a visibilidade do público e da própria mídia. “É uma cena que ferve por baixo dos panos da monocultura da música de Carnaval”, conceituou João Mendes ao discursar quando a banda que integra, Pirombeira, ganhou o troféu de melhor show, prêmio anunciado pelo compositor e poeta baiano José Carlos Capinam, parceiro de nomes como Edu Lobo e Gilberto Gil em grandes sucesso da MPB.


Como visto na foto acima, Danilo Caymmi entregou o troféu de melhor clipe para Larissa Luz por conta do vídeo de Bonecas pretas, música do independente segundo álbum solo desta cantora e compositora baiana, Território conquistado (2016), calcado no discurso de afirmação da mulher negra. Ex-vocalista do grupo Ara Ketu, onde cantou de 2007 a 2012, Luz se reinventou em carreira solo, se distanciando da axé music. “Esse clipe me fez crescer enquanto mulher negra”, disse a artista ao receber o troféu, celebrando “a força e a união das mulheres pretas”. Eleito o melhor instrumentista pelo toque do violão das músicas Cadê João? e Giro do sol, Raoní Maciel caracterizou o prêmio como “um combustível” que aciona o motor da “inquietude da música baiana”.


Já Giovani Cidreira dedicou o troféu de Intérprete vocal masculino, pela gravação da música Um capoeira, aos artistas que vivem além de BR-324, numa alusão espirituosa aos colegas moradores da periferia de Salvador (BA). Ao receber o troféu de intérprete masculino na categoria show, Achiles foi além ao ressaltar que é um artista vindo do interior da Bahia. “A música baiana vai além da música da capital”, sentenciou.


Enfim, a música baiana – feita na capital de Salvador (BA) ou no interior da Bahia – vai além dos gêneros rotulados como axé music e pagode baiano. “Nessa segunda edição, o Prêmio Caymmi cresceu e chegou como um movimento, de música, de cooperação e de coletividade”, analisou Elaine Hazin, diretora da premiação cuja segunda edição foi aberta com homenagem ao produtor musical Wesley Rangel (1950 – 2016), baiano de Iramaia (BA) que fundou em Salvador o estúdio WR, fundamental para a consolidação na década de 1980 das carreiras fonográficas da primeira geração de artistas da axé music. Prova, aliada à presença de Saulo Fernandes no show, de que o Prêmio Caymmi de Música quer ir além do axé sem se opor ao gênero que, mesmo decadente, ainda identifica a Bahia na cena musical do Brasil.

Eis os vencedores da segunda edição do Prêmio Caymmi de Música:


Categoria Música

Melhor música com letra: Instante pra se lembrar, de Ian Cardoso, da banda Pirombeira

Melhor música instrumental: Amálgama, de Luã Almeida

Melhor intérprete feminino: Flavia Wenceslau (pela música Por uma folha)

Melhor intérprete masculino: Giovani Cidreira (pela música Um capoeira)

Melhor instrumentista: Raoni Maciel (Violão nas músicas Cadê João? e Giro do sol)

Melhor arranjo: Ubiratan Marques (pela música Branco, da Orquestra Afrosinfônica)

Melhor produção musical: André Luis Magalhães Costa Pinto (pela música Maya, de Kromosons Brazil)


Categoria Show

Melhor show: Pirombeira

Melhor intérprete feminino: Livia Nery

Melhor intérprete masculino: Achiles

Melhor instrumentista: Flaviano Gallo (Baterista no Santini & Trio)

Melhor banda: Santini & Trio

Melhor direção artística: Jackson Costa pelo show de Celo Costa

Melhor direção musical: Ubiratan Marques pelo show de Nara Couto

Destaque técnico: Fred Alvin (iluminação em vários shows)

Melhor produção – Humberto Vale pelo show Curujito, do grupo Skanibais

Revelação – Luedji Luna

Categoria Videoclipe

Melhor clipe: Bonecas pretas, de Larissa Luz

Melhor direção: Glauco Neves e Bruno Souri, por Modo Hard, de Circo De Marvin

Melhor fotografia: Pablo Moreno Pires, por Canto Africano, de Raquel Monteiro

Melhor produção: Adriano Ribeiro, por Modo Hard, de Circo De Marvin

Melhor roteiro: Luan Ragedo, por Kamikaze, de Dario Nunes Moreira


(Créditos das imagens: fotos de divulgação de Ulisses Dumas)


O colunista e crítico musical do G1 viajou a Salvador (BA) a convite da produção do 2º Prêmio Caymmi de Música.

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