Rapper carioca lança bolero de tom ‘noir’ com fé na prosódia do hip hop


Pela foto e pelo título do novo single de Ramonzin, Valei-me, tem-se a impressão de que o cantor e compositor carioca Ramon Procopio é fiel seguidor da música evangélica. Só que é falsa a pista dada pela capa e pelo nome desse single que chega amanhã, 18 de agosto, às plataformas digitais. Ramonzin põe fé na música negra de tom profano, em especial no rap. Composição assinada por Ramon em parceria com Paulo Ney e Rafael Tudesco, Valei-me é bolero de tom noir que fala em fé e no diabo, mas com prosódia e rimas herdadas da linguagem urbana do hip hop. “É o instinto selvagem / O desejo e o ensejo / Maquiagem borrada / Igual suas verdades / E quem vem na fé / O Diabo à paisana / Não se sabe quem é, não dá pra confiar / Vagabundo ou cana”, dizem versos da música.


A influência do rap no bolero tem tudo a ver com a trajetória deste integrante do Duto, coletivo atuante em Madureira, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ) famoso pelo samba, mas também conhecido pela forte presença na cena black do Rio. Ramonzin chegou ao rap através do skate, participando de rodas de rimas da Lapa, outro bairro carioca pontuado pela efervescência musical. Em 2010, lançou o primeiro disco solo, o bem-sucedido single Se ela soubesse. Quatro anos depois, o artista apresentou o primeiro álbum solo, Circo dos motivos (2014).

O single Valei-me marca a estreia do rapper na Universal Music, que contratou os artistas do Duto – Malía, QXÓ, Ramonzin, 3RDW e Dughettu – e abriu selo batizado com o nome do coletivo. O primeiro lançamento do coletivo na companhia fonográfica foi o single Essa vida, do rapper QXÓ.

(Crédito da imagem: capa do single Valei-me. Ramonzin em foto de divulgação)

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