Sétimo álbum do Pavilhão 9 está assentado sobre base sólida do grupo


O papo é reto: são dez músicas em 29 minutos e seis segundos. Tempo suficiente para o Pavilhão 9 mostrar no álbum Antes Durante Depois (Deck) que nada mudou tanto assim no rap roqueiro do grupo paulistano após hiato de 11 anos interrompido somente para show feito na edição de 2012 do festival Loolapaloza. “O rap é compromisso, já dizia o Sabota”, lembra o quinteto em verso da música-título Antes Durante Depois (Rhossi e Heitor Gomes), em alusão ao título do primeiro álbum do rapper conterrâneo Mauro Mateus dos Santos (1973 – 2003), o já mítico Sabotage.


No sentido ideológico, nada mudou na obra do Pavilhão 9, como já mostrara Tudo por dinheiro (Rhossi, Heitor Gomes, Doze, Leco Canali e Rafael Bombeck), single inicial deste sétimo álbum de estúdio do grupo, o primeiro em longos 12 anos. Só que, de certa forma, tudo também mudou porque, nesses 12 anos que separam Antes Durante Depois do álbum anterior Público alvo (2005), o rap ganhou outras vozes, batidas e focos.


O próprio Pavilhão 9 já não é mais o mesmo. Os vocalistas Rhossi e Doze ainda resistem, firmes e fortes. Mas a formação do grupo é outra. Entraram o baterista Leco Canali (egresso da banda Tolerância Zero), o baixista Heitor Gomes (vindo do extinto Charlie Brown Jr.) e o guitarrista Rafael Bombeck (escudeiro de Rhossi na carreira solo). Em que pese a formação diferente, a massa sonora do Pavilhão 9 continua compacta, intacta, com peso roqueiro, como evidencia Acredita não, duvida, parceria de Rhossi, Doze e Heitor Gomes com Daniel Krotoszynski, que assina a produção do álbum com os músicos da banda.


“É quente / É quente”, assegura o Pavilhão 9 no refrão de Ideia quente (Rhossi, Heitor Gomes, Doze, Daniel Krotoszynski e Rafael Bombeck). Ora mais hardcore, como em Boca fechada (Rhossi, Heitor Gomes, Doze, Deco Canali e Rafael Bombeck), ora mais calcado na batida tradicional do hip hop, como em Pesadelo gangsta (Rhossi, Doze e Nave Beatz), rap cuja base é sustentada pelo produtor curitibano Nave Beatz, o grupo segue fiel aos princípios de antes.


Ao longo do disco, o Pavilhão 9 dispara petardos contras políticos corruptos. “Nossa voz aqui metralhando os caras / E eles querem mais”, indigna-se o grupo no refrão de Os guerreiros (Rhossi, Doze, Heitor Gomes e Daniel Krotoszynski). Na única música fora da quente chapa autoral, Isto não para (Rhossi, Doze, Heitor Gomes e Daniel Krotoszynski), o Pavilhão 9 mantém a fervura ao verter para o português Esto no para (Javier e Ibarra Ramos, 2016), sucesso recente do MC espanhol Kase.O.


Enfim, o álbum Antes Durante Depois está assentado sobre as bases sólidas do som e da ideologia do Pavilhão 9, grupo referencial do hip hop brasileiro da década de 1990. A questão é que nada do que foi será do jeito que já foi um dia… (Cotação: * * * 1/2)


(Créditos das imagens: Pavilhão 9 em foto de Roberto Salgado. Capa do álbum Antes Durante Depois)

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