Pedro Amorim dá ‘voz nagô’ a 14 afro-sambas compostos com Paulo César


Sem modéstia, Paulo César Pinheiro conceitua o álbum Voz nagô – Afro-sambas de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro (Engenho Produções) como “trabalho de fundamental importância na linha afro-brasileira de evolução dos dois últimos séculos”. Em texto escrito para o encarte da edição em CD deste álbum gravado em fevereiro deste ano de 2017, com produção e arranjos do próprio Pedro Amorim, o compositor e poeta carioca também caracteriza Voz nagô como um dos quatro discos básicos do gênero, situando o álbum no mesmo patamar dos antológicos Coisas (disco de Moacir Santos, lançado em 1965) e Afro-sambas (o disco de 1966 com Baden Powell e Vinicius de Moraes sedimentaram o gênero) – e do menos ouvido, mas nem por isso menos interessante, Áfrico (álbum de 2001 em que Sérgio Santos alinhou parcerias feitas com Pinheiro nessa linha afro-brasileira).


Em Voz nagô, álbum lançado neste mês de agosto, o compositor e bandolinista carioca Pedro Amorim interpreta 14 músicas criadas com Pinheiro com a intenção de retomar a linha de composição apresentada por Baden Powell (1937 – 2000) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980) na década de 1960. Traduzindo, os compositores se apropriaram artisticamente de elementos do candomblé e da capoeira para criar, a partir desses elementos, as 14 músicas de repertório que, sob o rótulo de afro-samba, abarca ritmos como chula, jongo e lundu, além de afro-sambas propriamente ditos.


Aos 14 temas, Amorim adicionou no disco a vinheta instrumental intitulada Três comadres no samba e criada pelos percussionistas Thiago da Serrinha, Paulino Dias e Marcus Thadeu nas gravações do disco, feitas na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Metade das 14 músicas do álbum Voz nagô é inédita em disco, a exemplo de Baraúna, Batizado, Berimbau de Angola, Ogum-Megê, Quilombo dos Palmares e Tocador de santo.


Iemanjá rainha do mar e Linha de caboclo foram lançadas por Maria Bethânia nos álbuns Mar de Sophia (2006) e Encanteria (2009), respectivamente. Já Sangue de rei foi apresentada por Nina Wirtti no álbum Joana de Tal (2012). Brigador, Sestrosa e Sina do negro foram lançadas pela cantora Ilessi em 2009 em álbum dedicado à produção autoral de Amorim com Pinheiro. Já a música-título Voz nagô foi lançada há 15 anos pelo percussionista Naná Vasconcelos (1944 – 2016) no álbum Minha lôa (2002), reaparecendo no álbum de Pedro Amorim em gravação feita com a participação do imodesto parceiro Paulo César Pinheiro.


(Crédito das imagens: Pedro Amorim em foto de Silvana Marques. Capa interna do CD Voz nagô. Projeto gráfico de Yuri Reis)

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