Álbum feito com Kleiton, ‘Camaleão’ exibe cores vivas do gaúcho Vedovelli


Faz sentido que, ao listar as influências musicais que reverberam no som do primeiro álbum solo, Camaleão, Evandro Vedovelli cite Gilberto Gil em primeiro lugar. Os arranjos do tecladista Dudu Trentin para músicas como Sou e Não posso mais parar evocam o miscigenado balanço black da obra fonográfica do cantor e compositor baiano na fase pop da década de 1980.


Nascido em 1989 em Farroupilha (RS), município serrano do Rio Grande do Sul, Vedovelli se recusou a ficar longe demais das capitais e migrou para a cidade do Rio de Janeiro (RJ). Primeiro álbum solo do cantor, compositor e músico gaúcho, Camaleão expõe as cores vivas do som de Vedovelli na produção orquestrada pelo conterrâneo Kleiton Ramil, conhecido em escala nacional pela dupla formada com o irmão Kledir Ramil.


Tons de MPB, rock, folk e funk se amalgamam em batida pop ao longo das dez músicas autorais selecionadas para compor o repertório do disco distribuído pela gravadora Biscoito Fino em todo o Brasil. O suingue e o canto de Gil ecoam em Corpo a corpo, mix de reggae e canção folk feita para ver o luar em luau. Trata-se de um dos destaques de repertório que inclui baladas de cepa pop como Retrato e Despedida.


Com cores vivas também impressas na pele do artista na foto feita por Joice Sant’Ana para a capa do disco, idealizada por Vedovelli ao ver fotos de um festival na Índia, Camaleão sucede álbum lançado pelo artista como vocalista da banda Jacarandá.

Já conhecido no circuito de festivais e eventos musicais do Sul do Brasil, Vedovelli é a prova de que existe um mercado independente em terras gaúchas, alheias aos sons que ditam modas e tendências no eixo Rio–São Paulo. “A vida é livre / Feita pra voar”, sintetiza Vedovelli nos versos finais de Voa, última das dez músicas de Camaleão, primeiro voo solo do artista.


(Crédito da imagem: capa do álbum Camaleão, de Vedovelli. Projeto gráfico de Ian Ipanema)

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