Músico da época de ouro do choro, Jorginho deixa história no pandeiro


Foi natural que o músico carioca Jorge José da Silva (3 de dezembro de 1930 – 6 de julho de 2017) tivesse incorporado ao nome artístico, Jorginho do Pandeiro, o instrumento que lhe deu o pão e a glória de ser reconhecido como um dos maiores craques no toque do pandeiro e do choro, reverenciado por grandes músicos do Brasil de ontem e de hoje, como o bandolinista Hamilton de Holanda, para citar somente um exemplo.


Filho e irmão de violonistas, Jorge – ou Jorginho, como todo o meio musical o conhecia e o chamava – começou a tocar pandeiro ainda criança, aos seis anos. Aos 14 anos, entrou para o conjunto do violonista fluminense Ademar Nunes na rádio Tamoio e já começou a carreira de músico profissional em caminho cruzado diversas vezes com a trajetória do irmão mais velho, Horondino José da Silva (1918 – 2006), o Dino Sete Cordas, músico igualmente virtuoso, mestre do violão e do choro.


Integrante de orquestras e de conjuntos regionais da era de ouro do rádio brasileiro, Jorginho pôs o toque particular do pandeiro em gravações feitas com Jacob do Bandolim (1918 – 1969), fundador em 1964 do Época de Ouro, grupo de choro no qual o pandeirista entrou efetivamente em 1972, ano em que o conjunto voltou à cena, três anos após a morte precoce de Jacob.


O ritmo tocado por Jorginho em histórico álbum de Jacob com o Época de Ouro – Vibrações (RCA-Victor, 1967), lançado há 50 anos e desde então um título referencial da discografia do choro – dá bela amostra da maestria do mestre do balanço. Com o toque pessoal do pandeiro, cheio de suingue, Jorginho ficou no Época de Ouro até ele mesmo sair de cena ontem, 6 de julho de 2017, aos 86 anos, vítima de complicações decorrentes de infecção urinária.


Sempre em atividade, Jorginho nunca deixou de tocar o pandeiro magistral, divulgando o choro no Brasil e no mundo. O currículo ostenta centenas de gravações feitas com grandes nomes da música brasileira, como Paulinho da Viola, sambista também diplomado na escola do choro. Jorginho deixa como herdeiro na música o filho Celso Silva, também excelente percussionista e também tocador de pandeiro como o pai que lhe foi um mestre.


(Crédito da imagem: Jorginho do Pandeiro em foto de Celso Silva)

Deixe uma resposta