Um ano do brutal assassinato de um estudante no campus da UFRJ

Diego Vieira Machado
Há um ano, quando soube pelos jornais a notícia da morte de Diego Vieira Machado no campus da UFRJ, fiquei pasma, chocada. Decidi ir com meu amigo Peter Fry até o alojamento no campus do Fundão, onde morava o estudante, para me solidarizar com seus amigos e conhecer sua história. Patrícia preparava o cortejo fúnebre para – após muito custo e persistência – levar o corpo do amigo até a sua cidade natal.


Na época as notícias falavam do assassinato de um estudante negro e homossexual no campus do Fundão. Porém, visitando o ambiente acolhedor do alojamento, descobri, como contei no meu post de 8 de julho do ano passado, um jovem talentoso, poeta, artista performático. Uma personalidade rica e que tinha o sonho de se formar. (Leia aqui o postFragmentos da vida de um estudante assassinado no campus da UFRJ)

O brutal assassinato não foi esclarecido até hoje. Seus amigos e parentes não sabem o que aconteceu. A UFRJ lançou uma nota no último dia 1º de julho lamentando o fato e afirmando que havia tomado todas as providências para ajudar a polícia, mas nada adiantara. Será mesmo que tudo foi feito? Será este mais um crime que engordará as estatísticas das mortes violentas sem culpados? Taxa-se a morte de Diego com o estigma da homofobia ou do racismo, e apaga-se o crime, os criminosos e, sobretudo, a vida de um rapaz que teria certamente um futuro brilhante pela frente.

O noticiário policial depois de alguns dias não falou mais no caso. As pessoas esqueceram-se de Diego em meio a tanta morte violenta e cruel nesta cidade. Porém sua família e seus amigos ainda choram a perda de um moço que buscava a vida. Junto-me a eles em solidariedade. Infelizmente não o conheci, mas até hoje acompanho Patrícia e quero juntar meu pranto ao dela.

Será mesmo que apenas uma nota da Reitoria no dia em que completou um ano da morte do estudante é suficiente? Não deveríamos estar mais preocupados com o crime e as condições de segurança do campus, especialmente levando-se em conta os alunos mais carentes que moram no alojamento e vivem nas dependências da UFRJ?

A UFRJ é responsável pela segurança de seus residentes e este assassinato não pode ficar impune.

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