Clássico da ficção científica, ‘Solaris’ ganha nova edição

Em 1961, quando “Solaris”, do escritor polonês Stanislaw Lem, foi lançado, tornou-se não apenas um sucesso instantâneo de vendas mas também um clássico de nascença da ficção científica. A adaptação do romance para o cinema, pelo cineasta russo Andrei Tarkovsky, em 1972, foi considerada uma resposta soviética a “2001 – Uma odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick, por sua vez uma adaptação de uma novela de Arthur C.Clarke. Traduzido diretamente do polonês, “Solaris” está sendo relançado em uma caprichada edição da editora Aleph (320 pgs. R$ 59,90)

A trama aborda as implicações de um bizarro empreendimento interplanetário. A sinopse: em um futuro indeterminado, o cientista e psiquiatra Kris Kelvin acaba de chegar à estação de obseravação Prometheus, na órbita do planeta Solaris, coberto de água. Sua missão é esclarecer alguns fenômenos estranhos associados ao comportamento bizarro dos três tripulantes, que parecem ter enlouquecido e interromperam a comunicação com a Terra.

Solaris é totalmente coberto por um vasto oceano dotado de vida e, presumivelmente, inteligência. Kelvin desobre de maneira dolorosa que o planeta tem o poder de materializar desejos inconscientes – e medos íntimos. No caso de Kelvin, Solaris faz reaparecer a sua esposa suicida, Rheya, por cuja morte ele se sente culpado. Mas, angustiada por não ter lembranças de sua vida anterior, o avatar de sua mulher volta a se matar.

A trama é pontuada por longas e detalhadas digressões filosóficas e científicas sobre o planeta e as estruturas gigantescas produzidas por suas marés. O autor recapitula as primeiras descobertas sobre a inteligência planetária e os sucessivos esforços de gerações de cientistas russos para estabelecer contato com Solaris. Stanislaw Lem estabelece um contraponto entre esse contexto histórico e a história pessoal de Kelvin, colocando em questão a irrelevância das tragédias individuais diantes das forças maiores que regem o universo.

Além de se confrontar com a própria culpa, o protagonista vive o desafio de trazer à razão os tripulantes paranóicos da estação, semidestruída e abandonada: o dr. Snaut, que o adverte a respeito de uma presença maligna a bordo da plataforma; e o dr. Sartorius, que mal se atreve a sair de seu laboratório. Gibarian, o terceiro membro da equipe e amigo íntimo de Kelvin, se matou dias antes da sua chegada à estação.

Stanislaw Lem imprime à narrativa uma atmosfera claustrofóbica, ao mesmo tempo em que empreende um estudo profundo de conflitos psicológicos e emocionais do protagonista. A premissa de uma inteligência extraterrestre não-humana, na forma de um oceano que cobre um planeta, é extremamente original, permitindo Stanislaw Lem criar situações engenhosas e forte carga dramática. “Eu queria criar a visão de um encontro humano com algo que certamente existe, de uma maneira poderosa, mas que não pode ser reduzida a conceitos, ideias ou imagens humana”, afirmou o autor.

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