Um metalzinho no meu coração


O doutor mandou colocar uma mola pequenina de metal revestida de “sirolimus” e “polímero” no meu coração.

O sirolimus é um fármaco retirado de um tipo de terra, encontrado na ilha de Páscoa por cientistas brasileiros. Contém uma substância que faz com que o coração não expulse a intrusa mola pequenina. O polímero,  espécie de borrachinha, é um conjunto de moléculas que ajuda a manter a molazinha flexível.

Tudo isso para ver se o sangue corre mais leve e prolongue minha vida. A pequena mola ficará para sempre na minha coronária, vai morrer comigo. O polímero deve sair em dois ou três meses.

O doutor nem perguntou se eu estava com medo, mas na certa, vendo meu total espanto e desamparo, calculou que mesmo temendo uma invasão no meu coração combalido eu gostaria de prolongar o amor contido nele.

Esse post é todo inspirado na poética canção que Gilberto Gil fez em homenagem à sua médica depois de longa internação (veja vídeo acima). Gil com seu usual alto astral me ajudou a enfrentar a difícil realidade de ter agora um coração que bate usando uma espécie de perna mecânica, ou braço, um metalzinho revestido de borracha. Espero que ele não se atrapalhe nas batidas e continue a pulsar com o mesmo vigor e amor de sempre e, sobretudo, não dê defeito.

 

 

 

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