Violonista mistura sons brasileiros e europeus ao tocar temas para piano


Violonista carioca de formação clássica, Nicolas de Souza Barros começou a conceber em 2016 o terceiro álbum do músico, Chora, violão! (Edição independente), quando fez um arranjo para violão de oito cordas da Valsa de esquina nº 1, peça criada originalmente para piano pelo compositor erudito Francisco Mignone (1897 – 1986). Nasceu, a partir desse arranjo, o conceito do disco em que Barros toca ao violão temas compostos para piano por compositores como Eduardo Souto, Ernesto Nazareth (1863 – 1934) e Henrique Alves de Mesquita (1830 – 1909), além de Mignone.


A rigor, o disco Chora, violão! se situa na tênue fronteira entre as músicas erudita e popular. Referências das obras de compositores eruditos europeus se harmonizam com toques típicos da música popular brasileira formatada a partir da segunda metade do século XIX pelos compositores tocados por Barros. Esse cruzamento fica mais evidenciado quando o violonista toca dois tangos brasileiros (ou choros, no atual dicionário da música brasileira), Cruzeiro e Guerreiro, de Ernesto Nazareth, compositor predominante no repertório do álbum, sendo autor de metade dos 14 temas selecionados por Barros, cujo primeiro álbum, lançado em 2014, foi inteiramente dedicado à obra de Nazareth.


Compositor da geração anterior a Nazareth, Henrique Alves de Mesquita tem revivido no disco Batuque, tema mais conhecido da obra do autor, entre três peças rotuladas como polcas-cateretês (A baiana, A surpresa e Mayá).

Chora, violão! apresenta um único tema composto originalmente para o instrumento evocado no título do álbum, Valsa choro nº 3, obra do já mencionado Francisco Mignone.


(Crédito da imagem: capa do álbum Chora, violão!, de Nicolas de Souza Barros)

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