Quatro álbuns menos importantes de Odair José voltam em edições digitais


Cantor, compositor e músico goiano cuja obra autoral passou por processo de reavaliação a partir dos anos 2000, em ação que eventualmente até superestimou o cancioneiro do artista, Odair José viveu período de auge artístico e comercial ao longo da década de 1970.


O supra-sumo da discografia do artista nesta fase áurea são os quatro álbuns lançados pelo cantor com o selo da Polydor – Assim sou eu… (1972), Odair José (1973), Lembranças (1974) e Odair (1975) – e reeditados em CD há quatro anos na caixa Quatro tons de Odair José (2013), da Universal Music.


Já os quatro álbuns ora relançados em edição digital neste mês de junho de 2017 – Odair José (CBS, 1970), Meu grande amor (CBS, 1972), O Filho de José e Maria (RCA-Victor, 1977) e Coisas simples (RCA-Victor,1978) – são menos populares e, com exceção do roqueiro O filho de José e Maria, também menos importantes no conjunto da obra do artista.


Os dois primeiros títulos, Odair José e Meu grande amor, foram álbuns gravados sob a direção artística do compositor e produtor musical Rossini Pinto (1937 – 1985). São álbuns em que Odair não conseguiu mostrar toda a cara, tendo sido persuadido a gravar músicas alheias escolhidas por Rossini, embora ambos os discos já trouxessem no repertório algumas composições da lavra franca e direta do compositor.


De todo modo, não foi à toa que, ao migrar da CBS para a Philips (gravadora que tinha o selo Polydor para abrigar artistas populares que se dirigiam às classes C e D, público nem sempre alcançado pelos ícones da MPB), Odair batizou o primeiro álbum na companhia de Assim sou eu…, disco que emplacou a música Esta noite você vai ter que ser minha (José Pereira Jr. e Pisca, 1972).


Começou ali período de consagração popular que somente seria interrompido com a ida de Odair para a gravadora RCA para gravar O filho de José e Maria, álbum concebido como ópera-rock. O fracasso comercial do disco quebrou a corrente de sucesso que envolvia o artista. Em Coisas simples, o disco de 1978 que também ganha edição digital, Odair tentou refazer o elo popular, mas nunca mais alcançaria o sucesso retumbante da fase 1972 – 1974.


(Crédito da imagem: Odair José em foto de Rama Oliveira)

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