Luis Carlinhos canta Bob Marley em clima de luau, conduzido por violão


O cantor, compositor e músico carioca Luis Carlinhos frequenta a praia do reggae há muitos verões. Quatorze anos antes de lançar o primeiro álbum solo, Rapa da panela (2005), o artista criara a banda carioca Dread Lion justamente para fazer o reggae que aprendera com o mestre Bob Marley (1945 – 1981) e que pautava outras bandas como a então emergente Cidade Negra, formada na Baixada Fluminense (RJ). Por isso mesmo, o álbum Luis Carlinhos canta Bob Marley soa natural na trajetória desde artista que também integrou o grupo 4 Cabeça, criado em 2004 com Baia, Gabriel Moura e Rogê.


Lançado neste mês de junho, em CD e em edição digital (programada para aportar na plataformas a partir de 23 de junho), o álbum tem produção assinada por Luis Carlinhos com o baterista João Viana. Ao longo de gravações de nove músicas de Marley, conduzidas pelo violão de Carlinhos e feitas em cinco estúdios carioca entre abril de 2016 e janeiro deste ano de 2017, o disco realoca o cancioneiro do compositor jamaicano em clima acústico, como se o artista estivesse em luau feito em outras praias musicais, sem perder de vista o horizonte do reggae, como exemplifica a abordagem de Who the cap fit (1976).


Nesse clima acústico, tocam no disco músicos como Davi Moraes (banjo), Frederico Puppi (violoncelo), João Gaspar (ukelele), Lancaster Pinto (baixo), Leo Mucuri (percussão), Marcelo Caldi (acordeom), Marcos Suzano (percussão), Marlon Sette (trombone) Nicolas Krassik (violino) e Rodrigo Sha (flauta). Um time de virtuoses em atividade na cena do Rio de Janeiro (RJ), cidade natal de Carlinhos.


Primeira das noves músicas selecionadas por Carlinhos, na disposição do CD, Rock it baby (1973) transita entre reggae, folk e baião. Previamente lançada como primeiro single do álbum, a gravação de Real situation (1980) junta a voz de Carlinhos com a de Alexandre Carlos, cantor do grupo brasiliense de reggae Natiruts. Já a cantora carioca Silvia Machete solta a voz de Easy skanking (1978), música formatada com arranjo que aponta o caminho da soul music.


Única versão em português do disco, feita por Carlinhos com Cláudio Agá a partir da letra de Three little birds (1977), Três lindas flores desabrocha com trio vocal feminino egresso do grupo carioca AfroReggae e convocado para reunir a atmosfera vocal do grupo jamaicano The I Threes (1973 – 1981), formado por Rita Marley, Judy Mowatt e Marcia Griffiths, backings de Marley desde quando o reggae começou a extrapolar as fronteiras da Jamaica.


Música lançada em 1970, três anos antes da explosão mundial de Marley, Soul skahe down party já fazia parte do repertório da banda Dread Lion. Já So much trouble in the world (1979) tem levada pop e o toque do violino de Nicolas Krassik, francês radicado no Rio.


Como dá perceber pela seleção nada óbvia do repertório, Luis Carlinhos conhece bem a praia do reggae e canta Bob Marley com preciosos toques musicais alheios que dão personalidade ao disco independente, cuja capa expõe projeto gráfico de Cláudio Leal (KRM Design). O artista mergulha com segurança nessa praia sempre muito frequentada.


(Crédito da imagem: capa do álbum Luis Carlinhos canta Bob Marley)

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