Gessinger volta ao João Rock após 12 anos com crítica ao excesso de informação: ‘Gritos aparecem mais’

Humberto Gessinger: É que é uma mudança muito maior do que a gente pensa, porque, por exemplo, as pessoas ouvem música de maneira muito fracionada, tudo elas fazem de maneira muito fracionada. Quer dizer: o tempo de atenção das pessoas para uma coisa é de trinta segundos, então a música que se faz é uma música em looping, uma música que tu pode começar a ouvir a qualquer momento e parar a qualquer momento. É um looping que está rolando ali e quem é da minha geração é acostumado com aquela canção que vai se construindo ao longo de três ou quatro minutos, tem uma introdução. É uma mudança que não quer dizer que seja melhor ou pior, mas o mundo é diferente, as pessoas têm muito menos tempo e atenção para as coisas. Isso talvez dificultasse meu trabalho, talvez não. É muito difícil de sacar, porque, por outro lado, ao mesmo tempo que tem isso, de maneira assim hegemônica, essa mesma coisa traz em si seu antídoto. Vai cansando, as pessoas começam a buscar o diferente, então acho muito difícil trazer do tempo em que as canções foram compostas e saber como seria hoje em dia. Não tenho a menor ideia de como seria.

Deixe uma resposta