Edição digital do último álbum de estúdio de Zizi gera alegria e tristeza


A notícia de que o 17º álbum de Zizi Possi – Bossa, lançado originalmente em 2001 pela gravadora Universal Music – está sendo posto nas plataformas digitais gera alegria e tristeza simultâneas para admiradores desta excelente cantora paulistana.


A alegria vem do fato de que novas gerações poderão descobrir um álbum refinado, gravado por Zizi em clima de bossa nova, mas sem os clichês dos discos associados a esse gênero musical – samba, em essência, mas com a tal influência do jazz – apresentado ao mundo em 1958 por João Gilberto.


A tristeza vem da constatação de que, embora já tenha sido lançado há 16 anos, Bossa ainda é (inacreditavelmente) o último álbum de estúdio da carreira de Zizi. De lá para cá, a cantora – cuja voz límpida permanece em forma, a julgar por apresentações recentes da artista – lançou somente três registros ao vivo de shows em 2005 (Pra inglês ver e ouvir, em CD e DVD), 2010 (Cantos e contos, em dois DVDs) e 2014 (Tudo se transformou, somente em CD), além de irretocável EP com mornas, O mar me leva (2016), que a própria artista parece ter feito questão de esconder do público.


Uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, Zizi quase nada fez em estúdio desde a edição de Bossa, álbum prejudicado na época do lançamento porque a relação da cantora com a gravadora Universal Music já estava saindo do tom. Essa constatação é triste porque mostra o pouco aproveitamento em estúdio de uma voz de beleza e afinação raras.


Enfim, para quem não conhece Bossa, o álbum apresenta abordagens, em clima de bossa, de músicas como Caminhos cruzados (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1958), Capim (Djavan, 1982), Preciso dizer que te amo (Cazuza, Dé Palmeira e Bebel Gilberto, 1986) e Yesterday (John Lennon e Paul McCartney, 1966), entre outras. O disco tem bossa.


(Crédito da imagem: capa do álbum Bossa, de Zizi Possi)

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