Derrota anunciada em jogo de cartas marcadas

A patética encenação do julgamento da chapa Dilma/Temer pelo TSE aprofunda o buraco em que o país se encontra. Se é que ainda restava alguma dúvida da parcialidade do ministro Gilmar Mendes, cúmplice do presidente ilegítimo, a máscara caiu de vez na noite de ontem, com seu previsível voto de Minerva. Placar de 4X3 que, como tantos já brincaram, se equivale ao 7×1 da semifinal entre Alemanha e Brasil na Copa de 2014. O mesmo sujeito que permitiu o processo de cassação da chapa PT/PMDB, agora vota contra. Se os podres que não param de aparecer não são suficientes, como explicar que as pedaladas fiscais tenham justificado o impeachment tabajara?

O modelo de governabilidade seguido por Lula e Dilma, aliando-se ao ninho de corrupção que virou o PMDB e a tantos outros partidos de aluguéis, não podia dar certo mesmo. Mas, tirar a presidente eleita (e equivocada em tantas coisas) com um golpe branco só piorou o Brasil. Agora, como o velho jargão, a luta continua. Temer vai sangrar, com menos apoio para prosseguir em reformas nas quais o povo não é consultado, e votadas por um Congresso sem credibilidade alguma.

Eleições diretas e gerais continuam sendo a saída para a crise. Chance de o Brasil se reinventar.

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Na semana de frustração com o jogo de cartas marcadas no TSE, poucos títulos foram atrás de minhas resenhas. São os cinco CDs reunidos na foto ao lado, dos quais apenas um foi ouvido na íntegra, o da cantora Solange Pellegrini. Os outros quatro chegaram pelo correio no fim da tarde de ontem e, portanto, vão ficar para a próxima coluna. Enquanto esta vem sendo batucada num voo para Brasília, viagem que nada a ver tem com a política.

Produzido por Gustavo Schroeter, que também participa como baterista, em banda que ainda inclui um colega n’A Cor do Som, o percussionista Ari Dias, o disco “Solange Pellegrini” (independente) já deve ter alguns anos de vida. Afinal, os arranjos são do saudoso guitarrista Perinho Santana, morto em dezembro de 2012. Músico que, nos anos 1970 e 80 passou pelos grupos de, entre outros, Caetano, Gil e Melodia, Perinho também é coautor de duas faixas, a canção de abertura, “Palavra pra te dar” (parceria com Dora Vergueiro) e “Sem perdão” (com Luísa Nogueira). O repertório, na maioria inédito, inclui ainda uma de João Donato, “Tem que ter dendê” (parceria com Tavinho Paes), que participou da sessão com seu piano inconfundível. Regravações nada óbvias completam o cardápio, como “A rota do indivíduo” (Djavan e Orlando Moraes) e “Recado” (Gonzaguinha). Solange tem boa voz, é segura, acompanhada por bons músicos – além dos já citados, Bombom (baixo), João Bosco (teclados) e Marco Tulio (sopros) – e, portanto, é mais uma na fila de cantoras de MPB que disputam um lugar ao sol.

Entre os quatro títulos que sobraram, dá para adiantar algo sobre um deles, a reedição “deluxe” de “Flowers in the dirt” (Universal), que Paul McCartney lançou originalmente em 1989. Quase três décadas depois, continua valendo, principalmente graças às parcerias com Elvis Costello. Por sinal, o melhor da nova versão é seu CD extra, com nove faixas demos gravadas pela dupla. Além de canções lançadas por McCartney, como “My brave face”, “That day is done” e “You want her too”, estão duas que, dois anos depois, deram as caras no álbum “Mighty like a rose”, de Costello, “So like candy” e “Playboy to a man”.

Então, por hoje é só, e ficam na fila de espera “Nem tudo pode se ver” (Embolacha), com mais uma volta do grupo carioca Picassos Falsos; “Isca (Volume 1)” (Elo Music / Boitatá / Distr. Tratore), do grupo Isca de Polícia (que acompanhou Itamar Assumpção); e “Um malandro em Paris” (Tratore), do cantor belga Michel Tasky.

Subo o texto sem revisão. Depois, caso necessário, volto para as devidas…

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