Com ‘Suor e sacrifício’, CPM 22 honra opção pelo ‘hardcore’ em bom álbum


Embora o grupo CPM 22 tenha sido criado em 1995 na cidade paulista de Barueri (SP), a banda do vocalista Fernando Estéfano Badauí está mais associada à geração do rock brasileiro dos anos 2000. Uma geração avaliada com certa má vontade pela crítica musical por conta da (igualmente má) associação de vários grupos, como NX Zero e o próprio CPM 22, com Rick Bonadio, produtor hábil na formatação de som radiofônico que, não raro, padronizou e romantizou o rock dessas bandas em ação que favoreceu o indesejável rótulo de emo posto em várias delas.


Mas o tempo passa, as bandas rompem com padrões impostos a elas e refletem sobre as próprias escolhas, às vezes publicamente, como faz o CPM 22 na letra de A esperança não morreu (Badauí, Ricardo Galano e Luciano Garcia), uma das 14 músicas da edição em CD do sétimo álbum de estúdio do grupo, Suor e sacríficio (o repertório da edição digital abarca mais duas composições, Cruz e Revolução).


“Tem que andar pra frente / Tem que resistir”, reconhece Badauí em versos de Linha de frente (Ricardo Galano e Badauí). Único remanescente da formação original de 1995, Badauí resistiu e, com Suor e sacrifício, honra o nome do CPM 22 neste bom disco produzido pelos músicos do grupo com o produtor Paul Ralphes enquanto Ralphes ainda era um dos diretores artísticos da gravadora Universal Music (ele seria demitido do cargo executivo cerca de três semanas antes do lançamento de Suor e sacrifício).


O álbum soa coeso, homogêneo, fiel ao hardcore e sem concessões ao emo. Há uma ou letra menos afiada do que a pegada da banda, mas não a ponto de comprometer a inegável homogeneidade do disco. Há seis anos sem lançar repertório inédito, o CPM 22 ouvido em Suor e sacrifício é um quinteto que valoriza o repertório inteiramente autoral e que já conta com o ex-guitarrista do grupo capixaba Dead Fish, Phil Fargnoli, bem-vinda aquisição que encorpa com solos o som do sucessor do álbum Depois de um longo inverno (2011) na discografia de estúdio da banda.

Reintegrado ao CPM 22 em julho de 2016, após cinco anos fora do grupo, o baixista Fernando Seixas se junta ao guitarrista Luciano Garcia e ao baterista Ricardo Japinha, ambos desde 1999 no CPM 22, na atual formação da banda.


Precedido por singles como Ser mais simples (Phil Fargnoli), Conta comigo (Luciano Garcia), Honrar teu nome (Phil Fargnoli e Badauí) e Todos por 1 (Luciano Garcia e Badauí), o álbum Suor e sacrifícioapresenta a primeira letra em inglês do repertório autoral do CPM 22, Never going to be the same, rock composto por Ricardo Japinha em parceria com o cantor e compositor norte-americano Trever Keith, vocalista da banda californiana de punk rock Face To Face. Keith participa da faixa.


De todo modo, o fato é que, em bom português, músicas como Combustível (Luciano Garcia) mostram o CPM 22 com novo gás, mesmo que eventualmente se pareçam umas com as outras. Disco que honra o universo do rock pesado, Suor e sacrifício evoca no título os percalços driblados por Baduí e Cia. para permanecer em cena ao longo de 22 anos. Rock empolgante que fecha a edição em CD do álbum, Todos por 1 faz o inventário emocional destas duas décadas de estradas com fé na vida e no que virá. E, salvo alguma imprevista mudança de percurso, muito ainda há de vir. (Cotação: * * * 1/2)


(Crédito da imagem: capa do álbum Suor e sacrifício, do CPM 22)

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