‘american gods’, uma série lindíssima em que nada acontece

Já foram seis episódios de “American Gods”, a belíssima série exibida aqui pelo canal streaming da Amazon e baseada no romance de Neil Gailman. Cada episódio tem pelo menos uma hora. E, em seis horas de série, não aconteceu quase absolutamente nada em termos de história – dava para condensar tudo o que rolou na temporada em uma meia hora.

Veja bem: eu estou adorando a série. Mesmo. Eu amo o Bryan Fuller (produtor da série, pai da belíssima “Hannibal”). A série é linda de morrer, tem uma atmosfera meio de sonho, umas cenas de tirar o fôlego. Mas não deixa de ser estranho: parece não haver história. Ou parece que temos uma temporada de tipo 22 episódios pela frente, só que não, são só oito. Está chegando ao fim e eu não faço a menor ideia do que esperar simplesmente porque quase nada aconteceu até agora.

Veja bem 2: eu não li o livro, provavelmente não lerei. Mas, como repito desde 1980, uma série de TV tem que se bastar – quem assiste tem que entender a história sem ter lido sinopse, livro, visto filme, nada disso. E aqui isso não acontece muito.american gods - blog legendado


Quem não leu o livro, tipo eu, além de não entender para onde a história caminha, fica bem perdido quando aparecem aquelas cenas que abrem os episódios. Um gênio da lâmpada que dirige um taxi em Nova York tem o que é talvez a cena de sexo gay mais ousada da história da TV – protagonizada por dois personagens islâmicos – e depois disso nada. Uma mulher tem uma noite de sexo que termina com uma espécie de sacrifício de seu parceiro – e depois disso nada. Uma senhorinha morre em casa e a morte vem busca-la – e é isso. Uma aparição num navio de escravos, um deus da guerra numa ilha, mexicanos cruzando a fronteira com Jesus entre eles, a Marilyn Monroe…

Tirando essas cenas de abertura, o que aconteceu até agora foi mais ou menos isso (com pequeninos **spoilers** a seguir, até porque nem tem muita coisa para dar spoiler, como disse): um cara chamado Shadow Moon (Sombra da Lua) sai da prisão após receber a notícia de que sua mulher foi morta em um acidente. No avião de volta para casa, conhece um senhor estranho, chamado mr. Wednesday (senhor Quarta-feira), que o chama para trabalhar com ele, como uma espécie de guarda-costas. Shadow aceita.

E aí eles pegam um carro e começam a viajar pelos EUA e se encontram com velhos conhecidos de mr. Wednesday, todos meio estranhos (são deuses americanos? Talvez, mas só porque o título da série é esse), e tem diálogos estranhos e coisas sobrenaturais acontecem. Mas nada muito significativo nem que faça andar a história. Aí eles vão embora e seguem pela estrada – não sabemos aonde estão indo nem por quê nem nada.american gods - blog legendado


Pelo menos o belo Shadow Moon é tão perdido quanto a gente, fica todo sem entender nada quando se depara com essas cenas e toda hora pergunta para o patrão “mas que p* é essa??” “o que está acontecendo??” “isso é real??” etc. Mr. Wednesday dá umas respostas vagas e é isso aí. Ficamos todos perdidos.

A série é lindíssima, cheia de efeitos especiais de primeira, os personagens são ótimos, os atores idem. Tem um episódio quase inteiro dedicado a um jogo de damas e é lindo. Mas é isso. Cadê história, amigos?

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