Alvo de polêmicas nacionais, o forró vai resistir ao funk e ao sertanejo


Rótulo genérico que abarca músicas de vários ritmos nordestinos, o forró esteve envolvido em duas recentes polêmicas que reverberaram esta semana em todo o Brasil. Uma é a apropriação indébita da toada Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947) – uma das pedras fundamentais da obra do compositor pernambucano Luiz Gonzaga (1912 – 1989) desde que foi lançada há 70 anos na voz do Rei do baião – por funkeiro paulista conhecido como MC Yuri. Sem autorização, o MC se apropriou da melodia de Asa branca para propagar letra de versos pornográficos em atitude que gerou bem-sucedida ação informal do neto de Luiz, Daniel Gonzaga, para a retirada da gravação da web.


A outra polêmica envolveu a cantora paraibana Elba Ramalho, voz que hasteia em solo nacional a bandeira da nação musical nordestina desde a década de 1970, com sucesso especialmente massivo nos anos 1980. Elba criticou a crescente contratação de artistas do universo pop sertanejo em eventos juninos que sempre tiveram como principais atrações nomes ligados ao forró.

Embora haja o inegável apelo da música pop sertaneja junto ao povo de todas as cidades do Brasil, em forte domínio do mercado fonográfico e da indústria do showbizz, a cantora tem razão em defender que um evento junino como o de Campina Grande (PB) priorize na programação somente artistas ligados ao gênero de música nordestina que toca no circuito das festas de São João. Afinal, se todo evento for considerar o inegável apelo popular da música sertaneja, Luan Santana e Marília Mendonça iriam ser escalados até para festivais de rock independente. É preciso respeitar ao menos os nichos de mercado.


De todo modo, o fato é que o forró mais tradicional sempre haverá de ser cultuado e cantado no Brasil, sobretudo no Nordeste. Tanto que nada menos do que 15 álbuns de Luiz Gonzaga, lançados originalmente entre 1970 e 1985 pela gravadora RCA-Victor, acabam de ser disponibilizados nas plataformas digitais, veículos para a conquista de futuros ouvintes. A própria discografia de Elba no período 1982–1995 também acaba de ser posta nessas plataformas. Ou seja, mesmo que o forró tradicional já seja produzido de forma mais escassa, o gênero sempre vai resistir ao tempo.


(Créditos da imagens: Luiz Gonzaga e Elba Ramalho em fotos de divulgação)

Deixe uma resposta