Voz da canção dos anos 1970, Barros de Alencar deixa obra sentimental


Finda a década de 1960, cuja segunda metade foi marcada no universo musical pelo surgimento da MPB na era dos festivais e pela explosão pop da Jovem Guarda e da Tropicália, o rock nacional migrou para a cena underground – ainda que Raul Seixas (1945 – 1989) e Rita Lee tenham propagado o gênero ao se projetarem nas respectivas carreiras solo – e a música brasileira seguiu basicamente três caminhos ao longo dos anos 1970.


Essas três rotas foram as vias da MPB (consolidada nessa áurea década de 1970 em que abarcou artistas nordestinos que migraram para o eixo Rio-SP), do samba (que também viveu período de apogeu nas vozes de cantores como Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Martinho da Vila e Roberto Ribeiro) e da música dita cafona cuja produção incluía também o repertório sertanejo. Foi nesse contexto que o cantor, compositor, radialista e apresentador paraibano Barros de Alencar (5 de agosto de 1932 – 5 de junho de 2017) fez nome no universo da música popular sentimental posteriormente rotulada como brega.


Nascido em Uiarúna (PB), no interior da Paraíba, Cristóvão Barros de Alencar saiu de cena na cidade de São Paulo (SP) na madrugada da última segunda-feira, 5 de junho, a dois meses de completar 85 anos. Alencar começou a carreira fonográfica na efervescente segunda metade da década de 1960, mas foi ao longo dos anos 1970 que se fez ouvir no Brasil com os quatro álbuns e os vários compactos que lançou pela gravadora RCA-Victor entre 1970 e 1980.


O repertório do cantor incluiu várias versões em português de hits estrangeiros, casos de Emanuela (versão da canção Emmanuelle, sucesso do cantor e compositor francês Pierre Bachelet em 1974) e Prometemos não chorar (versão de Prometimos no llorar, hit do cantor argentino Palito Ortega), ambas gravadas em 1975. Apenas três minutos (Barros de Alencar e Ivan, 1979) foi outro hit do cantor.


A partir da década de 1980, o artista alcançou mais projeção como radialista e como apresentador de programas de TV de veia tão popular como as canções sentimentais a que Alencar deu voz, tocando os corações de um Brasil igualmente popular e sentimental.


(Crédito da imagem: Barros de Alencar na capa de álbum de 1979)

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