‘Rock story’ sai de cena e mostra que vale amar qualquer forma de canto


Se qualquer maneira de amor vale amar, como sentencia verso de Paula e Bebeto (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1975) cantado por Milton Nascimento com o elenco de Rock story na cena final da novela de Maria Helena Nascimento, qualquer forma de música também vale a pena se for composta e cantada com alma. Essa parece ter sido a mensagem musical deixada ao fim pela trama dirigida por Dennis Carvalho (com Maria de Médicis) e exibida até ontem, 5 de junho de 2017, pela TV Globo (a reprise do último capítulo vai ao ar na tarde de hoje).


Além do desfecho emocionante gravado com a participação de Milton, ícone da MPB cuja obra sempre embutiu elementos do rock, o último capítulo da novela também surpreendeu ao apresentar Luan Santana em participação especial como presidiário que tenta convencer o empresário Lázaro (João Vicente de Castro, ótimo, no timing de comédia já mostrado no grupo Porta dos Fundos) dos dotes vocais cantando o refrão de Cê topa? (Luan Santana, Douglas Cezar, Caco Nogueira e Dudu Borges, 2013), grande sucesso da carreira de Luan.

A participação do cantor sul mato-grossense foi sagaz porque o popstar juvenil da trama, Léo Régis (Rafael Vitti, convincente desde o primeiro capítulo e cada vez mais à vontade no desenrolar da novela), foi construído com imagem que evocava o próprio Luan – citado várias vezes por Régis na trama – e Justin Bieber.


Em capítulo que destacou ainda dueto do protagonista Gui Santiago (Vladimir Brichta) com o filho Zac (Nicolas Prattes, já se insinuando como um dos grandes atores da geração 2010), houve homenagens mais sutis. Ao batizar as filhas gêmeas de Júlia (Nathalia Dill) com Gui com os nomes de Rita e Cássia, a autora celebrou duas cantoras, Rita Lee e Cássia Eller (1962 – 2001) de alma e atitude roqueiras, mesmo quando gravaram músicas de outros ritmos.


Ainda no quesito musical, o último show da banda 4.4 – a boyband formada por Zac com Tom (João Vitor Silva), Nicolau (Danilo Mesquita), JF (Maicon Rodrigues) e, em um segundo momento, com Jaílson (Enzo Romani) no posto de baixista ocupado por Nicolau – reiterou o capricho da direção da história na produção de grandes shows do universo pop. Os shows pareceram críveis.


Favorecida pela escalação perfeita dos atores-cantores, a banda 4.4. foi um dos charmes de Rock story, mas poderia ter sido mais popular fora da trama se tivesse havido um investimento maior da imagem da boyband na realidade virtual da web. Mas esse é detalhe pequeno que jamais desmereceu essa grande novela, uma das melhores exibidas no horário das 19h em todos os tempos. Foi uma história de amor sem clichês que tinha a música como personagem importante e uma grande intérprete, Laila Garin, no papel de cantora também chamada Laila. Tanto que um dos principais cenários de Rock story foi a fictícia gravadora Som Discos, comandada por Gordo (Herson Capri, executivo fiel ao rock e aos artistas do elenco da companhia) com idealismo fictício na atual realidade do mercado fonográfico.


Rock story sai de cena, mas deixa fãs, saudades e a certeza de que a música, tal como o gênero novela, é imortal. Vale cantar qualquer maneira de amar. Assim como vale amar qualquer maneira de canto. Valeu, Rock story! Até qualquer dia no GloboPlay ou no Vale a pena ver de novo!


(Créditos da imagens: fotos do portal GShow)

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