o livro de nora e o belíssimo final de ‘the leftovers’

Nora - the leftovers - blog legendado
Foi bonito pra caramba, foi tocante e delicado, respondeu às nossas duvidas deixando mais dúvidas no ar. Satisfez quem queria respostas, satisfez quem não precisava de respostas, não estragou nada com as explicações e não deixou certeza nenhuma: será mesmo que tudo aquilo que contaram era verdade?


“The Leftovers” terminou de forma belíssima e é, sem dúvida, uma das melhores séries que eu já vi na vida. Sou obrigada a admitir que Damon Lindelof sabia sim o que estava fazendo e fez muito bem. Que personagens. Que diálogos. Que episódios – sério, que episódios, gente do céu. Um mais maluco que o outro, um melhor que o outro. Que série. Caramba, que série (mais sobre por que é tão boa no post anterior).


Terminou o episódio final e eu estava abraçando a TV.


A partir de agora, farei comentários sobre o episódio final e **HAVERÁ SPOILERS**. Então saia já daqui e vá atrás de “Leftovers”. Não vale desistir no quarto episódio, como eu tinha feito, tá? Força. É boa demais.nora e kevin - the leftovers - blog legendado


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Eu torci o nariz a princípio pro fato de o episódio se passar quase todo no futuro. Pessoas maquiadas de velhos geralmente ficam péssimas. Aqui não foi o caso: tanto Nora quanto Kevin (ele especialmente) estavam ótimos, muito muito bons.


E aí teve toda uma explicação para o desaparecimento: eles estão em outra dimensão em que 98% da população desapareceu do nada. Ou não: ou é tudo mentira e a Nora gritou “paraaa” antes de a água cobri-la totalmente dentro da máquina e nunca passou para dimensão nenhuma e inventou essa história porque foi tudo o que restou. Adorei essa dúvida no ar, adorei o jeito como as coisas foram feitas – foi tudo um relato da Nora, a gente acredita se quiser. Não teve um flashback com ela vendo os filhos grandes. Ou a gente acredita no relato dela ou não acredita.


E aí teve aquele diálogo incrivelmente belíssimo da Nora com o Matt antes de ela entrar na máquina, o falso obituário que o Matt escreveu. Que coisa bonita que foi aquela cena, que belas interpretações. Eu chorei.


Até para as mortes e ressurreições do Kevin teve uma explicação, alguma doença cardíaca e tal. Tudo então não passou de delírios. Ou não: qual é a verdade?


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Para não dizer que não achei defeito: meio ridículo o Kevin fazer o maluco e tocar na porta da Nora e falar “oi lembra de mim a gente se encontrou na rua uma vez”. Eles foram casados, caramba. No mínimo a Nora tinha que ter falado “pode parar com essa babaquice agora”, mas não. Meio que fingiu que acreditava. Não fez muito sentido. Mas nada que estragasse tanto não.


Para não dizer que não achei defeito II: meio “de volta para o futuro” aquele negócio que na dimensão paralela a Nora foi procurar o criador da máquina para ele criar outra máquina e ela voltar para o lado de cá. Mas, também, pode ser tudo invenção dela (que viu o filme e se inspirou, vai saber). Nora e matt - the leftovers - blog legendado

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Como tudo tem limite na vida, eu me recuso a ler entrevistas de Damon Lindelof “explicando” o que quer que seja da série.


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Em “Lost” (a outra série de Damon Lindelof que traumatizou toda uma geração) as coisas começaram incríveis e revolucionárias, os episódios eram um melhor que o outro até que eles não conseguiram segurar a onda, não conseguiram atender às expectativas e a série terminou daquele jeito horrendo.


“The Leftovers” foi meio que “Lost” ao contrário: a série começa muito ruim, forçada, barulhenta. É difícil não querer largar a primeira temporada. Mas aí, eis que os caras fazem o episódio da Nora no hotel e tudo começa a ficar bom, bom, bom. E a segunda e a terceira temporadas são uma obra prima, apenas.


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Sabe o que eu gosto? Os personagens da Australia são sempre tão cool.


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Gente, ainda teve Nora subindo o morrinho e libertando a pobre cabra dos colares dos pecados. Foi bonito.

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