Clássico da discografia de Belchior, o álbum ‘Alucinação’ é reeditado em LP


No mercado fonográfico, o passado é uma roupa que ainda nos serve. A morte repentina de Antônio Carlos Belchior (26 de outubro de 1946 – 30 de abril de 2017), há pouco mais de um mês, já motiva a indústria da música a exumar a obra do cantor, compositor e músico cearense. Além do álbum que vai ser gravado pela cantora Amelinha somente com músicas do artista (previsto para o segundo semestre) e da compilação com fonogramas raros desenterrada pela gravadora Warner Music e programada para ser lançada neste mês de junho de 2017, a obra-prima da discografia de Belchior – o álbum Alucinação, lançado em 1976 pela gravadora Philips – ganha reedição no formato original de LP na série Clássicos em vinil. Fabricado com vinil de 180 gramas, o LP chega ao mercado na primeira quinzena deste mês de junho.


Produzido por Marco Mazzola, Alucinação foi o segundo álbum de Belchior. Se o primeiro tinha sido lançado sem repercussão em 1974, este segundo álbum projetou o artista como cantor, no rastro da consagração como compositor com a explosão dos dois petardos roqueiros (Como nossos pais e Velha roupa colorida) detonados pela cantora Elis Regina (1945 – 1982) em novembro de 1975 com a estreia do show Falso brilhante.


Alucinação é álbum de atitude roqueira, mas, musicalmente, transita pelo folk e pela MPB em voga na época. O disco aconteceu por insistência do produtor Marco Mazzola. Ao ouvir uma fita cassete com músicas de Belchior na casa de Elis, que selecionava o repertório do espetáculo Falso brilhante, Mazzola ficou seduzido pela obra do artista e convenceu a diretoria da gravadora Philips a contratar Belchior e a lançar um álbum deste artista que, na época, já estava desgarrado do Pessoal do Ceará.


O resultado foi um álbum antenado, cujo repertório fez desiludido inventário emocional das perdas e ganhos da geração de 1960, a que sonhou com um mundo melhor. Além de Como nossos pais e de Velha roupa colorida, músicas gravadas por Elis naquele mesmo ano de 1976 no álbum Falso brilhante, Alucinação apresentou Apenas um rapaz latino-americano – o hit do cancioneiro autoral arranjado por José Carlos Bertrami (1946 – 2012) – e rebobinou A palo seco, música que Belchior lançara em compacto de 1973 e que incluíra no álbum de estreia de 1974.


Alucinação, Antes do fim, Como o diabo gosta, Fotografia 3 x 4, Não leve flores e Sujeito de sortecompletam o cancioneiro deste álbum conceitual, um clássico que retorna ao formato original de vinil porque, na indústria da música, sempre vale ajustar a roupa do passado para que ela sirva às novas gerações e aos saudosos desse passado.


(Crédito da imagem: capa do álbum Alucinação, de Belchior)

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