Carta ao irmão Carlos

Imagem mostra o Centro da Via Láctea

Não sei exatamente como começar, mas desde que você viajou para tão longe fico imaginando o que diria sobre tudo o que estamos vivendo neste País.

Sento no café em que costumávamos ir à tardinha, depois de nossos exercícios na academia de Sérgio D’Agostini.

Quantas horas passávamos discutindo os caminhos do Brasil! Você não poupava elogios ao meu amigo Roberto DaMatta e reclamava quando ele não respondia aos e-mails nos quais você comentava sua coluna da véspera. Elogiava dona Ruth Cardoso, tendo-a recebido em sua casa, em jantar oferecido por ocasião do concurso de titular do amigo Peter Fry no início do primeiro Governo Fernando Henrique. Que lindo foi ver nossos filhos juntos recebendo a primeira dama. Como foi corajoso o seu filho Leonardo, vencendo a timidez e sabendo que Ruth não gostava de fotos, pedir com jeitinho e receber um sim para flagrá-la com sua nova câmera fotográfica e registrar esse dia tão feliz! Onde foram parar as fotos?

Amanheci com saudades enormes! Acho que você iria primeiro rir da dupla caipira, mas depois do sarcasmo inicial certamente diria: “Mas é pena Yvonne. Que desgraça ter empresários de tanto sucesso envolvidos em tudo isso! Isso não é bom para o Brasil! Precisamos de desenvolvimento e sem empresas fortes nada é possível”.

Se você estiver recebendo notícias daqui tenho certeza de que não está espantado ou estarrecido ou mesmo chocado como eu e muitos de nós. Deve estar simplesmente triste de ver o tamanho do desgoverno no Brasil de tripas para fora, e dizendo: ” Mas que pena termos perdido gente tão interessante! Poxa, e como as grandes firmas se imiscuíram dessa forma?”

Carlos, nossos empresários e políticos foram todos corrompidos e esqueceram-se do bem comum! Nossa sociedade do favor é mais perversa do que supúnhamos, não? Desde a Constituição de 1988 falamos muito em direitos sociais e individuais e isso foi fundamental, mas esquecemos de discutir e de enfatizar o sentido que deve existir na busca do bem comum! Certamente você iria concordar comigo, e sei que teria alguma coisa muito esperançosa sobre tudo isso para me dizer, porém não consigo atinar o que seria.

Da próxima, em vez de carta, espero tomar uma taça de vinho e dividir com você uma salada com uma massinha no Lorenzo Bistrô, como fazíamos em noites de outono.

Até breve, um beijo e todo o meu amor

Yvonne

Foto CMA Via Lactea

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