Claudette Soares grava disco baseado em livro sobre o samba-canção do Rio


Ao iniciar a carreira fonográfica em 1954, com o aval de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), a cantora carioca Claudette Soares logo ganhou o epíteto de A princesinha do baião. Mas a praia musical de Claudette era outra e ficava na orla carioca. Tanto que, já em 1957, Claudette percebeu a bossa moderna do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) e gravou o samba-canção Foi a noite, uma das refinadas parcerias de Tom com o conterrâneo Newton Mendonça (1917 – 1960). Por isso mesmo, Foi a noite figura no repertório do disco que a cantora começou a gravar ontem, 29 de maio, em estúdio da cidade de São Paulo (SP), sob produção de Thiago Marques Luiz (que observa a cantora ao piano, no estúdio, numa das fotos de Mateus Capelo).


A caminho dos 80 anos, a serem festejados em outubro deste ano de 2017, Claudette grava álbum inspirado pelo livro A noite do meu bem – A história e as histórias do samba-canção (Companhia das Letras, 2015), no qual o escritor Ruy Castro montou painel da noite carioca dos anos 1940 e 1950, décadas em que o samba-canção era a trilha sonora preferencial das boates que proliferaram na cidade do Rio de Janeiro (RJ).


No disco A noite do meu bem, Claudette registra 21 músicas alocadas nas 12 faixas do álbum que será editado pela gravadora Nova Estação. O repertório é baseado no roteiro do homônimo show apresentado pela cantora em 13 de maio em São Paulo (SP), cidade na qual está radicada há anos. Os músicos do disco – Alexandre Vianna (arranjos e piano), João Benjamim (baixo), Rafael Clarim (sax e flauta) e Rafael Lourenço (bateria), vistos com Claudette na outra foto de Mateus Capelo – são os mesmos do show, aliás.


Eis, na disposição do disco A noite do meu bem, as 21 músicas do repertório que, embora esteja obviamente centrado na safra recordista de sambas-canção da década de 1950, vai de 1946 até 1998, ano de Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc), bolero lançado na voz da cantora carioca Nana Caymmi:


1. A noite do meu bem (Dolores Duran, 1959) /

Foi a noite (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1957) /

Fim de noite (Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli, 1960)

2. Canção de amor (Chocolate e Elano de Paula, 1950)

3. Meu mundo caiu (Maysa, 1958) /

Resposta (Maysa, 1956) /

Ouça (Maysa, 1957)

4. Manias (Celso Cavalcanti e Flávio Cavalcanti, 1955) /

Contrasenso (Antônio Bruno, 1957)

5. Bar da noite (Haroldo Barbosa e Bidú Reis, 1953) /

Meu nome é ninguém (Haroldo Barbosa e Luis Reis, 1962)

6. Saia do caminho (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1946) /

Molambo (Jayme Florence e Augusto Mesquita, 1953)

7. Eu sou a outra (Ricardo Galeno, 1953) /

Orgulho (Waldyr Rocha e Nelson Wederkind, 1953) /

Baralho da vida (Ulysses de Oliveira, 1953)

8. Dó ré mi (Fernando César, 1955)

9. Até quem sabe (João Donato e Lysias Ênio, 1973)

10. Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973)

11. Tola foi você (Angela RoRo, 1979)

12. Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, 1998)


(Créditos das imagens: Claudette Soares com o produtor Thiago Marques Luiz e com os músicos Alexandre Vianna, João Benjamim, Rafael Clarim e Rafael Lourenço em fotos de divulgação de Mateus Capelo)

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