Compositor gravado por Beth, Nana e Alcione, Márcio Proença sai de cena


Cantor e compositor fluminense, parceiro de nomes como Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro, Márcio Proença (14 de novembro de 1943 – 21 de maio de 2017) saiu de cena na primeira hora da madrugada de hoje em Nitéroi (RJ), cidade onde nasceu há 73 anos e da qual nunca quis se afastar. Vítima de complicações decorrentes de leucemia, Proença deixa obra autoral reverenciada no meio artístico. Mesmo sem ter emplacado sucessos populares, o compositor foi gravado e respeitado por quem entende de música, casos de cantoras exigentes ao selecionar repertório, como Beth Carvalho, Leny Andrade e Nana Caymmi.


Foi na voz de Beth, a propósito, que o samba Cabrocha da mangueira, parceria de Proença com Paulo César Pinheiro, chegou ao disco em 1991, no álbum Intérprete, sendo regravado três anos depois por Leny, outra cantora bamba. A mesma Beth Carvalho lançara em 1989 a canção romântica Ziguezagueou, composta por Proença com os parceiros Cláudio Cartier e Marco Aurélio.


Outra voz-grife da música brasileira, Nana Caymmi gravou com Proença em 1984 a composição Águas partidas (Márcio Proença, Marco Aurélio e Paulo Emílio), em registro feito para Eterno diálogo, álbum do compositor que também foi cantor e deixou discos como Márcio Proença (1981), Facho de luz (2004) e Retrato cantado (2014). E por falar em Nana, ela gravaria Outra tarde e Marca da paixão, parcerias de Proença com Marco Aurélio, nos álbuns Alma serena (1996) e Desejo (2001), respectivamente.


A trajetória musical de Márcio Proença começou na década de 1960, quando, ainda estudante, conheceu Gonzaguinha (1945 – 1991) e Paulo Emílio, compositores com os quais iria formar o Movimento Artístico Universitário (MAU) no desabrochar da década de 1970. Ainda nos anos 1970, Proença entrou para o coro da banda do cantor Roberto Carlos, a convite do maestro Eduardo Lages, com quem atuara no Quarteto Forma, grupo vocal dos anos 1960.


A lista de intérpretes de músicas de Márcio Proença é vasta, também incluindo cantoras como Alcione, Áurea Martins (pioneira ao gravar A palavra que ficou em compacto de 1969), Marília Barbosa – que batizou o álbum Filme nacional (1978) com nome de música de Proença incluída no repertório – e Simone. A cantora baiana regravou no álbum Simone Bittencourt de Oliveira (1995) a música Pare de me arranhar (1981), assinada por Proença com Marco Aurélio, Darci de Paulo e Flávio Oliveira. Já a Marrom deu voz a O sono dos justos (Márcio Proença e Marcus Lima) no álbum Acesa (2009).


Enfim, Márcio Proença foi compositor gravado por cantoras relevantes e fez música com parceiros como Aldir Blanc, Ivor Lancellotti, Nei Lopes e Paulo César Pinheiro. O que por si só justifica o valor da obra autoral do artista.


(Crédito da imagem: Márcio Proença em 2004 na capa do álbum Facho de luz)

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