Herói do Brasil, Kid Vinil deixa legado que transcende onda da ‘New Wave’


Antonio Carlos Senefonte (15 de março de 1955 – 19 de maio de 2017), o Kid Vinil, foi um herói do Brasil, como sentenciou o título de biografia lançada em 2015. Paulista de Cedral, Vinil sai hoje de cena, aos 62 anos, deixando obra e legado popularizados a partir da New Wave, a onda roqueira da década de 1980 que permitiu que o artista multimídia virasse popstar no ápice de popularidade de carreira que transcendeu a indústria do disco e a própria New Wave.


Vinil conheceu a fama nacional como vocalista da banda Magazine, surgida a partir do Verminose, grupo de rock pesado que sempre transitou às margens do mercado com Vinil na liderança. Foram pouco mais de 15 minutos de fama no universo pop brasileiro, mas tempo suficiente para deixar o nome do artista na memória popular. Pegando a onda pop da New Wave, a banda Magazine estourou em 1983 com Eu sou boy (Ted Gaz e Aguinaldo), música que parecia contar a história pregressa do próprio Kid Vinil – um ex-office boy nerd que sabia tudo de música e discos – e que foi sucedida, em 1984, por outro grande hit radiofônico do grupo, Tic tic nervoso (Marcos Serra e Antonio Luz).


A regravação de Comeu – música de Caetano Veloso, lançada pelo compositor em 1984 e recriada pelo Magazine, a convite da TV Globo, para a abertura da novela A gata comeu (1985), trama de grande adesão popular – completou a trilogia de sucessos nacionais do grupo Magazine.


Entre idas e vindas do Verminose, grupo que foi a grande paixão musical de Vinil, o artista se reinventou e se projetou como antenado VJ, DJ e executivo de gravadoras como Eldorado e Trama. Nunca saiu de cena como cantor, mas o dom para transmitir conhecimento musical – e Vinil tinha muito, sendo visto como uma ambulante enciclopédia de rock – ampliou a rede de fãs deste artista multimídia que propagou informações sobre rock e cultura pop em vários meios, apontando bandas e tendências em programas de rádio, TV e na web.


Autor do livro Almanaque do rock (2008), no qual documentou o talento de pesquisador musical, Kid Vinil foi um herói do Brasil que galgou cada degrau da escala social sem perder a fé no rock e na vida.


(Crédito da imagem: Kid Vinil na capa da biografia Um herói do Brasil)

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