Álbuns de Criolo, Prettos e Rodrigo Campos reavivam samba de Sampa


Nomes como Adoniram Barbosa (1912 – 1982), Douglas Germano, Germano Mathias, Paulo Vanzolini (1924 – 2013) e o extinto Quinteto em Branco e Preto sempre hastearam alta a bandeira do samba de Sampa, ainda que o centenário gênero sempre fosse mais associado ao Rio de Janeiro e à Bahia desde que o samba é samba. Mas o samba de São Paulo – que nunca esteve morto, ao contrário do que apregoou o poeta Vinicius de Moraes (1913 – 1980) em frase infeliz – está sendo especialmente reavivado com ares de renovação neste primeiro semestre de 2017.


Não é por acaso que dois importantes álbuns que gravitam em torno do gênero, Espiral de ilusão e Sambas do absurdo, chegarão ao mercado fonográfico no mesmo dia, 28 de abril, com cadências e quebradas próprias dos respectivos artistas. Espiral de ilusão é o quarto álbum de músicas inéditas do rapper paulistano Criolo (em foto de Caroline Bittencourt). A julgar pelo single Menino mimado, o cantor e compositor segue a cadência bonita da velha guarda. Mas somente o fato de Espiral de ilusão ser disco produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral já é garantia de que, na quebrada do samba de Criolo, o samba vai sair com toques contemporâneos.

Sambas do absurdo é o álbum que junta Rodrigo Campos (compositor dos oitos sambas letrados por Nuno Ramos), Juçara Marçal e Gui Amabis (em foto de Luan Cardoso). A ideia do trio foi fazer um samba torto, inspirado na estética do absurdo. Aos 40 anos, Campos já vem dando amostras de que renova o samba de Sampa como compositor desde o primeiro álbum, São Mateus não é um lugar assim tão longe, lançado em 2009.


Junta-se a esses dois vindouros discos o primeiro grande álbum da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, principais integrantes e compositores do Quinteto em Branco e Preto. No álbum Essência da origem, lançado em fevereiro deste ano de 2017, o duo Prettos injeta ritmos e ar fresco na tradição do samba de Sampa. Criolo e Rodrigo Campos também devem chacoalhar essa tradição à maneira de cada um (com mais reverência aos cânones do gênero, no caso do rapper; com mais experimentações e rupturas, no caso do disco de Campos com Juçara Marçal e Gui Amabis). E o fato é que, contrariando a sentença injusta do poeta, atrás do renovado samba da cidade de São Paulo (SP), só não está indo quem já morreu…


(Créditos das imagens: Criolo em foto de divulgação de Caroline Bittencourt. Juçara Marçal, Gui Amabia e Rodrigo Campos em foto de divulgação de Luan Cardoso)

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