Álbum luso-brasileiro de rap une Rael e Emicida com colegas portugueses


Projeto luso-brasileiro de hip hop que junta os rappers brasileiros Emicida e Rael com os rappers portugueses Capicua e Valete, Língua Franca vai lançar o primeiro álbum no primeiro semestre deste ano de 2017, em edição do selo Laboratório Fantasma. Por ora programado para ser editado em maio, o disco – gravado entre São Paulo (SP) e Lisboa (Portugal) – tem produção dividida entre Kassin, Nave e Pedro Ferreira. A primeira música do álbum do projeto Língua Franca, Ela, já está disponível em single nas plataformas digitais e em clipe posto em rotação no YouTube. Eis a letra de Ela, com os versos atribuídos a cada rapper:


(Capicua)

Meu nome é Ana e sou viciada em música

É ela quem me chama quando eu já não estou lúcida

Quando o mundo desaba e o coração se quebra é ela

Que o cola e sara, ela é que me devolve à terra


Ella como Fitzgerald, dura como a battle

Eu gosto dela negra como heavy metal

Bela com som ou a capella, zuka como novela

Tuga como a minha terra ou afro como o Fela


Ela é como um exorcismo e eu cismo em viver dela

É imprevista como um sismo e eu finjo conhecê-la

Sê-la é o que eu faço hoje, foi a única saída

E foi um DJ, de facto, que salvou a minha vida


(Emicida)

Noite camufla

Sumo, supra-sumo

Eu, rumo ao abismo

Tipo Gizmo batismo

Domínio, uno

Luzes do globo

Cores do todo diz

Dá até a impressão que todo mundo é feliz

Os ladrão e as meretriz

Brindes de fel

Lembrei da voz do Blue

Os passarinho e as cascavel

Veneno é mel no inferno

Sou Xangô sem alarde

Minha alma não vai se fundir com os covarde

Vim pelo som

Meu bom, meu dom, meu deus

Zoom no piston, toca, alvo da fé dos ateus

Tonelada e mais tonelada de tretas, sujeira

Solidão como karma e a música de companheira

Fui

(Rael)

Ela surge como um vendaval

Força que me faz existir

És enredo do meu Carnaval

Ela é Jamelão, Zé Kétti


Ela quem me afasta do mal

Me livra dos pé de breque

Minha oração, ritual

Ela é quem é

(Valete)

Pra mim biográfico, pra ti cinematográfico

Eu estava nos barracos dos bairros problemáticos

Meus putos estavam na batida do dinheiro rápido

A tentar sair do buraco através do narcotráfico

Meu mano Dida disse Viris, vê se te resguardas

Fica na retaguarda, nesta vida não te enquadras

Aquié só vender quartas, fugir dos guardas

Correria e esquadras, a tua cena são as quadras

Larguei a rua insana, resolvi rimar o panorama

Hoje sentes os quilogramas de versos que eu kamasutro

Divulgo a trama nesta minha rotina suburbana

Componho dramas tão vívidos, chamam-me de dramaturgo

Metade dos meus manos hoje estão encarcerados

Meu mano Osvaldo, baleado e enterrado

Tenho sempre as caras deles nos meus pesadelos

Se não me tivesse afastado teria acabado como eles

Hoje sou eremita, veículo da rima honesta

Compenetrado como um islamita na mesquita

E eu limo arestas nestas palavras funestas

Lágrimas e luto, não há festa nesta escrita

(Rael)

(4x)

Ela, ela é

Ela, ela, ela é quem é

Ela

Ela surge como um vendaval

Força que me faz existir

(Crédito da imagem: ilustração do Facebook oficial de Emicida)

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