Azul é a cor mais quente para Saulo em álbum de tons solares e leves


Se é fato que a axé music desce ladeira abaixo, Saulo Fernandes vem resistindo como um dos últimos bastiões do trintão gênero musical afro-pop-baiano. No terceiro álbum solo, O azul e o sol (Rua 15 / Universal Music), o ex-vocalista da Banda Eva apresenta um repertório de tons leves, solares, que não dispensa o calor do baticum habitual do axé e do pagode baiano, sem deixar de procurar outros climas.


Azul é a cor mais quente para Saulo porque, no caso do artista, a quentura está associada à leveza pop que pauta repertório que transita por ritmos como ijexá – representado por Lábios vermelhos (Gerônimo Santana e Luciano Calazans) – e reggae, cuja cadência conduz Vida labirinto (Saulo Fernandes, Fábio Rocha, Alcione Rocha e Adriano Solares) e Mundo da lua (Saulo Fernandes e Renan Ribeiro), faixa cujo arranjo evoca o som do trio carioca Paralamas do Sucesso.


O som e o mundo giram leves na roda da ciranda Ponte, casa e flor (Saulo Fernandes), destaque do disco. Mas a força do tambor se faz presente em Terra nossa (Axé), composição de Saulo que celebra a Bahia, o axé e a música do Carnaval. Essa força que vem de tempos imemoriais é saudada em Ancestral (Saulo Fernandes, Ênio Taquari, Anderson Silva e Lazzo Matumbi), música gravada com a voz de Lazzo Matumbi, artista da fase áurea da axé music.


Disco nascido a partir de textos musicados por Saulo, e que por isso é conceituado pelo artista na capa como álbum de textos e livro de música, O azul e o sol é, em essência, celebração das belezas naturais da Bahia, feita já na abertura com a declamação dos versos de O céu azul (Marcio Mello). Músicas como Sol em festa (Saulo Fernandes e Ênio Taquari) e De repente mente (Saulo Fernandes, Gil, Alcione Rocha e Ênio Taquari) – tema agitado que levanta a bandeira do axé – entram no clima e nos tons (azulados) de Saulo neste bom disco.


(Crédito da imagem: capa do álbum O azul e o sol, de Saulo)

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